Análise: Brasil deve defender setores estratégicos em negociação com os EUA

Representantes do Brasil e dos Estados Unidos se reuniram nesta segunda-feira (31) para reabrir as negociações comerciais entre os dois países, após a imposição de tarifas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. O encontro ocorre cerca de dez dias depois de uma conversa telefônica entre Lula e Trump.

De acordo com a analista de internacional Fernanda Magnotta, no CNN 360°, o principal objetivo da equipe brasileira nesta rodada de negociações é reduzir o dano comercial concreto que vem sendo aprofundado com a imposição das novas tarifas.

“O primeiro e mais importante objetivo, sem dúvida, é reduzir o dano comercial concreto que vem sendo aprofundado a cada vez que essas novas tarifas se impõem”, afirmou Magnotta.

Segundo a analista, a equipe brasileira deve atuar em diferentes frentes durante as tratativas. Em uma primeira esfera, o foco seria tentar retirar produtos da lista de tarifas, garantir exceções, reduzir alíquotas e defender setores específicos — especialmente aqueles com cadeias produtivas integradas, nos quais as tarifas também encarecem insumos para empresas norte-americanas.

Magnotta destacou que essa abordagem privilegia os interesses econômicos do Brasil e de segmentos que foram bastante prejudicados mesmo com as exceções já em vigor.

Além disso, a analista ressaltou a importância de separar o que é negociável do que é estrutural. Nesse sentido, o Brasil poderia aceitar discutir temas como bens de capital e até mesmo o etanol — historicamente um ponto de tensão na relação comercial com os Estados Unidos, já que os americanos se ressentem da tarifa brasileira aplicada ao produto norte-americano.

Minerais críticos e PIX: as linhas vermelhas

Por outro lado, Magnotta identificou temas que representam linhas vermelhas para o Brasil nas negociações: os minerais críticos e o PIX. “São assuntos que representam interesses nacionais dos mais sensíveis para o Brasil nesse momento, entre eles, talvez, os minerais críticos como o mais importante”, declarou a analista.

Segundo ela, os Estados Unidos têm grande interesse nas reservas brasileiras de minerais críticos e têm tentado promover uma estratégia de associação de temas — vinculando a discussão sobre tarifas ao acesso a esses recursos.

O Brasil, por sua vez, reconhece seu diferencial competitivo no setor e quer garantir que eventuais acordos resultem não apenas na venda de uma commodity, mas também em benefícios relacionados a processamento, tecnologia e agregação de valor. Magnotta observou que os americanos buscam exclusividade sobre esse tipo de recurso, o que exige do Brasil um equilíbrio delicado nas negociações.

A expectativa, portanto, é que esta rodada de negociações se concentre nas pautas menos sensíveis, deixando os temas de minerais críticos e PIX para um segundo momento.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *