O presidente americano Donald Trump rejeitou, nesta sexta-feira (14), as alegações de que familiares de militares a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln estariam preocupados com as condições na embarcação, que está em missão há quase nove meses em apoio a operações dos EUA no Oriente Médio.
Em vez disso, Trump alegou que o longo período de serviço do navio, na verdade, não havia sido longo o suficiente.
“Não, não estão”, disse Trump quando questionado por repórteres sobre parentes dos tripulantes do porta-aviões que expressaram preocupação com a saúde mental e as condições de vida de seus familiares.
Ele disse que o Lincoln deixaria a região em breve e seria substituído por “outro navio muito semelhante”.
Mas, ao ser questionado se os oito meses e meio do Lincoln no mar eram tempo demais, Trump afirmou o contrário.

“Não, não, não. Não é tempo suficiente”, disse ele antes de se virar abruptamente para embarcar no Air Force One.
Diversos parlamentares democratas exigem respostas depois que familiares de marinheiros a bordo do USS Lincoln levantaram preocupações sobre a deterioração das condições de vida e o agravamento da saúde mental durante o período recorde de serviço do navio.
Desde que o porta-aviões Lincoln deixou o porto de San Diego, em novembro do ano passado, ele está em missão há mais de 250 dias, após ter sido redirecionado para o Oriente Médio para apoiar as operações dos EUA na guerra com o Irã, que já dura seis meses.
Com cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais a bordo, ele não atraca em nenhum porto há mais de 200 dias, estabelecendo um recorde moderno de dias consecutivos no mar, segundo o senador Richard Blumenthal.
O grupo de porta-aviões USS George Washington, que concluiu uma escala no Vietnã em 5 de agosto, está a caminho do Oriente Médio para substituir o USS Lincoln, informou um oficial americano à CNN na quinta-feira. O oficial disse que a troca já havia sido planejada. Não ficou imediatamente claro quando o Washington chegará.
Na quinta-feira, o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou que as condições no porta-aviões Lincoln foram “completamente deturpadas” durante uma conversa com repórteres em uma viagem à América Central, embora não tenha especificado suas preocupações com a reportagem.
“Garantimos que cada navio, cada tripulação, cada capitão tenha tudo o que podemos oferecer a cada instante”, disse ele.
“Algumas missões são mais longas do que outras, e tenho mais respeito e gratidão por esses marinheiros do que por qualquer outra pessoa. O que eles fazem em alto mar, nessas condições austeras e com menos escalas em portos é incrível”, concluiu.