Começar a jogar tênis na infância pode ajudar no desenvolvimento de habilidades motoras e na familiarização com o esporte. Mas existe uma idade certa para dar as primeiras raquetadas? Especialistas apontam que não há um momento único para todas as crianças. O início depende de fatores como maturidade, coordenação motora e adaptação às atividades propostas.
A faixa entre cinco e oito anos costuma ser favorável para a introdução à modalidade. Nessa etapa, o uso de quadras menores, bolas mais lentas e raquetes adequadas ao tamanho da criança facilita o aprendizado e permite que o contato com o tênis aconteça de maneira gradual.
O objetivo inicial, porém, não deve ser formar um atleta de alto rendimento o mais rápido possível. A prioridade é estimular o interesse pelo esporte, desenvolver capacidades motoras e construir uma relação positiva com a atividade física.
Como o tênis pode ser introduzido na infância?
Nos primeiros anos, as atividades devem respeitar as características de cada faixa etária. Entre três e cinco anos, por exemplo, brincadeiras que trabalhem equilíbrio, coordenação e percepção espacial podem ajudar na preparação para a prática esportiva.
Dos cinco aos sete anos, a criança pode começar a aprender os fundamentos do tênis, com exercícios adaptados e contato progressivo com a raquete e a bola. A partir dessa fase, as aulas também podem ganhar estrutura, desde que a evolução acompanhe o desenvolvimento individual.
A frequência dos treinos é outro ponto importante. Jean Zipperer, fisioterapeuta e sócia da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), destaca que a idade cronológica, isoladamente, não determina se a criança está pronta para começar.
“Não há, na literatura, uma idade ideal para início das atividades de tênis. O que se encontra de adequação para esse processo é a relação da idade entre cinco a oito anos de idade cronológica e com uma adequação psicomotora”, explica.
A especialista recomenda, nessa fase de familiarização e aprendizagem, aproximadamente duas sessões semanais. A proposta é permitir que a criança desenvolva suas habilidades sem ser submetida a uma carga excessiva de treinamento.
Excesso de cobrança pode prejudicar o desenvolvimento
Embora o contato precoce com o tênis possa favorecer o aprendizado, a pressão por resultados representa um risco quando não considera as necessidades da criança. Treinos intensos, especialização esportiva rígida e cobranças incompatíveis com a maturidade emocional podem comprometer tanto a saúde física quanto a relação com o esporte.
Por isso, a evolução deve ocorrer de forma progressiva. À medida que o jovem ganha experiência, a preparação pode incorporar atividades físicas específicas, prevenção de lesões, recuperação, estudo do jogo e participação em competições.
Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis (FPT), ressalta que o desenvolvimento varia de uma criança para outra.
“É importante ter em mente que cada criança se desenvolve de maneira diferente, algumas podem estar prontas para começar mais cedo e outras podem preferir esperar mais um pouco. O essencial é avaliar o desenvolvimento que cada jovem tem e seguir o ritmo de cada um. A prática do tênis precisa ser voluntária e natural, e não algo forçado e obrigatório, sempre buscando o melhor para o atleta. Na Federação Paulista de Tênis, temos buscado promover ainda mais torneios e já notamos uma procura cada vez maior entre atletas infantojuvenis”, disse o presidente.
A entidade também aponta um crescimento do interesse pelo tênis entre os jovens. De acordo com dados da FPT, as inscrições em torneios infantojuvenis no estado de São Paulo aumentaram 303% de 2024 para 2025. No mesmo período, o número de atletas mais novos filiados à federação passou de 1.075 para 3.861.
Clubes ajudam na formação de jovens tenistas
Além da orientação profissional, a estrutura disponível para a prática também influencia o desenvolvimento dos atletas. Clubes podem oferecer quadras, acompanhamento técnico e oportunidades de participação em competições, criando um ambiente para a evolução esportiva.
Nesse contexto, o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) atua no apoio ao sistema clubístico nacional. Em 2025, a entidade investiu R$ 677.267,12 nos Campeonatos Brasileiros Interclubes (CBI) de tênis, realizados em parceria com a Confederação Brasileira de Tênis (CBT).
Do total, R$ 503.234,60 foram destinados aos atletas, R$ 128.525,88 às comissões técnicas e R$ 45.506,64 à arbitragem. Os recursos contribuíram para a realização das competições e para o desenvolvimento da modalidade no ambiente dos clubes.
Para Paulo Maciel, presidente do CBC, a formação esportiva também depende das condições oferecidas aos jovens.
“A idade ideal para iniciar em algum esporte de alto rendimento depende apenas do jovem atleta e das condições disponíveis para cada um. Nesse cenário, os clubes são extremamente importantes, oferecendo uma infraestrutura de qualidade e um ambiente especializado para que futuros atletas se sintam à vontade na etapa de desenvolvimento”, destaca Paulo.
Assim, mais importante do que estabelecer uma idade obrigatória para começar a jogar tênis é garantir que a criança tenha condições de aprender no próprio ritmo. Com atividades adequadas, orientação qualificada e respeito ao desenvolvimento físico e emocional, o esporte pode se tornar uma experiência saudável desde os primeiros anos.