O evento Universo TOTVS 2026, realizado em São Paulo, reuniu profissionais e especialistas para discutir o avanço da IA (inteligência artificial) no ambiente corporativo.
Em entrevista ao CNN Cast, o diretor de Inteligência Artificial da companhia, Ramon Martins, analisou o estágio atual da adoção da tecnologia pelas empresas brasileiras e destacou o principal desafio do setor: transformar a experimentação em resultados concretos para os negócios.
Segundo Martins, embora a inteligência artificial seja uma tecnologia desenvolvida há décadas, sua aplicação nas empresas ainda enfrenta obstáculos para gerar valor efetivo.
“O momento que a gente se encontra agora é exatamente em que a gente visualiza essa tecnologia já bastante utilizada pelas empresas, especialmente pelas pessoas, mas a gente observa também um grande desafio em transformar essa experimentação que as empresas estão fazendo em valor real”, afirmou.
Nesse contexto, o evento apresentou soluções de inteligência artificial voltadas a 12 segmentos da economia, incluindo agronegócio, varejo e saúde. Entre as aplicações estão os agentes de IA, capazes de executar tarefas e solucionar demandas do cotidiano empresarial.
Simbiose entre humanos e inteligência artificial
Ao abordar o receio de que a inteligência artificial substitua profissionais, Martins defendeu que o futuro do trabalho deve ser marcado pela integração entre as capacidades humanas e as ferramentas tecnológicas.
“A gente está fazendo uma simbiose de inteligência humana e inteligência artificial”, explicou.
De acordo com o executivo, enquanto a IA contribui para automatizar processos, sintetizar informações e analisar grandes volumes de dados, os profissionais seguem desempenhando funções que envolvem liderança, empatia e criatividade. Para ele, a combinação dessas competências amplia as possibilidades de aplicação da tecnologia nas organizações.
“Quando você combina a inteligência humana com a inteligência artificial, você tem uma coisa muito mais poderosa do que essa discussão simples de que a IA eventualmente vai substituir o ser humano”, acrescentou.
Três etapas da evolução da IA nas empresas
Martins também apontou três movimentos que marcam a evolução do uso da inteligência artificial no ambiente corporativo. O primeiro é a fase de experimentação, vivenciada atualmente por muitas organizações, com ganhos de produtividade em atividades individuais.
O segundo consiste em ampliar esses ganhos para toda a estrutura empresarial, automatizando processos de negócio e incorporando a tecnologia à rotina das operações. Já a terceira etapa envolve uma transformação mais profunda: o redesenho dos processos empresariais para integrar, desde a concepção, o trabalho humano e a inteligência artificial.
“A IA trabalhando como um co-worker, literalmente como um colaborador que trabalha junto”, descreveu.
Martins também mencionou a participação do professor George, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), no evento, destacando a discussão sobre a necessidade de repensar os processos de trabalho diante do avanço da tecnologia.
Por onde as empresas devem começar?
Para as empresas que ainda têm dúvidas sobre como implementar a inteligência artificial, Martins ressaltou que o primeiro passo deve ser identificar o problema que precisa ser resolvido, em vez de adotar a tecnologia apenas para acompanhar uma tendência de mercado.
“A principal dica é foque em qual problema você quer resolver”, orientou.
Segundo ele, muitas organizações cometem o erro de priorizar a adoção da IA pelo receio de ficar para trás, sem definir objetivos concretos para sua utilização. “Muitas empresas estão muito concentradas em adotar a IA pela IA”, alertou.
A recomendação é estabelecer uma estratégia baseada em resultados, começando pela definição do caso de uso e de métricas claras de produtividade. Em seguida, é necessário identificar os dados necessários para a operação e, só então, escolher a tecnologia mais adequada.
Dessa forma, a inteligência artificial pode ser incorporada de maneira alinhada às necessidades do negócio e com maior potencial de gerar valor efetivo.