Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro do café arábica com vencimento em setembro encerrou o pregão desta quinta-feira (23) com queda de 2,29%, cotado a US$ 3,09 por libra-peso.
Os preços recuaram após o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) elevar as perspectivas para a oferta mundial de café na safra 2026/27. O órgão estima uma produção recorde de 189,7 milhões de sacas, volume 6% superior ao ciclo anterior, impulsionado principalmente pela recuperação da safra brasileira.
Segundo o relatório, a produção global de café arábica deve crescer 12%, enquanto a de robusta tende a recuar 0,7%. O USDA também projeta aumento dos estoques finais mundiais para 26,3 milhões de sacas, reforçando a expectativa de maior disponibilidade do produto no mercado.
Para o Brasil, o órgão mantém a previsão de uma safra recorde de 71,9 milhões de sacas em 2026/27, alta de 14% na comparação anual, favorecida pela melhora das condições climáticas e produtivas.
Cacau
O contrato futuro do cacau com vencimento em setembro, negociado na Bolsa de Nova York, encerrou a sessão com queda de 0,51%, cotado a US$ 5.301 por tonelada.
O Barchart apontou que o mercado permaneceu pressionado pelas expectativas de maior oferta global, após a forte desvalorização registrada no pregão anterior.
Dados da Costa do Marfim, principal produtor mundial da commodity, mostram que os embarques acumulados no atual ano comercial, entre 1º de outubro de 2025 e 19 de julho de 2026, somaram 2,10 milhões de toneladas, um avanço de 21% na comparação anual.
Outro fator que reforçou o movimento foi o crescimento das exportações da Nigéria. Em junho, o país embarcou 18.922 toneladas de cacau, volume 30% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, ampliando a percepção de maior disponibilidade do produto no mercado internacional.
Açúcar
O mercado futuro do açúcar continua operando em uma faixa estreita de preços, à espera de sinais mais claros sobre os impactos do El Niño na produção global. Neste cenário, o contrato futuro com vencimento em outubro encerrou o dia com queda de 0,34%, cotado a 14,69 centavos de dólar por libra-peso.
Apesar da leve desvalorização, o mercado continua sem um direcionamento definido. Segundo Mauricio Muruci, analista da Safras & Mercado, as cotações seguem sustentadas por um equilíbrio entre a oferta atual e as incertezas climáticas para os próximos meses.
“O mercado permanece em uma faixa de equilíbrio entre 14,50 e 15 centavos de dólar por libra-peso. Ainda não houve uma revisão oficial da produção dos principais países produtores, mas o avanço do El Niño pode trazer novos riscos para a oferta e sustentar uma alta dos preços mais à frente”, afirma.
De acordo com Muruci, os efeitos do El Niño ainda não foram plenamente incorporados às estimativas de produção. Embora o fenômeno já tenha provocado ondas de calor na Europa e reduzido as chuvas de monção em partes da Ásia, os impactos sobre os canaviais só deverão ficar mais claros nos próximos meses.
A expectativa é que, à medida que esses efeitos sejam confirmados em países como Índia, Tailândia, China e na própria Europa, o mercado possa revisar as projeções de oferta global, o que tende a aumentar a volatilidade dos preços do açúcar.
Algodão
O contrato futuro do algodão com vencimento em dezembro encerrou a sessão com alta de 0,12%, cotado a 81,21 centavos de dólar por libra-peso.
As cotações seguem sustentadas pelas incertezas em torno da safra norte-americana. Embora as chuvas tenham melhorado as condições das lavouras nas últimas semanas, o mercado ainda aguarda uma definição sobre o potencial produtivo e o nível de abandono de áreas nos Estados Unidos.
Segundo Pery Passotti Pedro, consultor independente, essa indefinição impede uma correção mais acentuada dos preços.
“Apesar da melhora significativa das chuvas nas últimas semanas, o mercado ainda trabalha com dúvidas importantes sobre o nível final de abandono de área e o potencial produtivo das lavouras dos EUA. Essa incerteza impede que os preços devolvam toda a alta registrada durante o período de seca.”
O especialista destaca que fatores como o petróleo e o cenário geopolítico continuam influenciando o mercado de commodities e a competitividade das fibras sintéticas, mas exercem um papel secundário neste momento.
“O principal direcionador dos preços do algodão permanece sendo a expectativa para a oferta americana na safra 2026/27. Os próximos relatórios do USDA serão determinantes para confirmar se as perdas de produção justificam os preços atuais ou se haverá espaço para uma correção.”
Suco de Laranja
O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com desvalorização de 2,33% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,46 por libra-peso.