O pai da policial militar Gisele Alves Santana afirmou em depoimento à Polícia Civil que a filha era submetida a humilhações financeiras pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio qualificado e fraude processual pela morte da soldado, ocorrida em 18 de fevereiro de 2026.
No relato, José Simonal Telles de Santana descreveu um episódio em que o casal chegou à casa da família durante uma discussão.
Segundo ele, Geraldo se exaltou, fez gestos agressivos e, batendo no próprio peito e no bolso, afirmou: “Quem banca tudo é o papai”, em referência ao fato de ser o responsável pelas despesas da casa.
O pai da vítima disse aos investigadores que tentou acolher a filha e afirmou que ela não precisava se submeter àquele tipo de humilhação para sobreviver.
Além disso, em mensagens anexadas ao inquérito o tenente-coronel detalha os gastos mensais com o apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, na região central de São Paulo, e utiliza os custos para justificar cobranças dirigidas à esposa.
Segundo a investigação, Geraldo se autodenominava um “macho alfa provedor” e afirmava que Gisele deveria ser uma “fêmea beta obediente e submissa”.
Em outra conversa, ele condiciona o pagamento das despesas da casa a demonstrações de afeto e relações sexuais. Em resposta, a policial escreveu: “Não vou trocar sexo por moradia e ponto final”.
Veja as mensagens
A investigação aponta que a policial pagava empréstimos consignados contratados para construir cômodos na casa dos pais e ajudava a custear a escola da filha de sete anos.
Após a morte, familiares e colegas também relataram que, poucos dias antes da morte, Gisele comemorava a transferência para a assessoria do TJM (Tribunal de Justiça Militar). A nova função lhe garantiria uma remuneração de aproximadamente R$ 5 mil mensais.
Segundo testemunhas, ela planejava utilizar o aumento de renda para conquistar independência financeira e dar andamento ao processo de divórcio.
Geraldo Leite Rosa Neto nega ter matado a esposa e sustenta que Gisele cometeu suicídio. Ele permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes e aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri.
*Sob supervisão de AR.