O que dizem os presidênciaveis sobre a classificação dos EUA sobre CV e PCC

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (28) que vai classificar as facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A medida entra em vigor em 5 de junho.

Após a decisão do governo norte-americano, os principais pré-candidatos à Presidência da República foram às redes sociais se manifestar sobre o assunto. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Itamaraty não se posicionou oficialmente sobre a decisão. Interlocutores do governo reconhecem a dificuldade de reagir publicamente sem parecer uma defesa das facções criminosas. Nesse sentido, o discurso do governo deve ser em torno da defesa da soberania nacional.

Primeiro a se manifestar, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), compartilhou o anúncio do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre a classificação nas redes sociais, e comentou “Grande dia”.

O senador também compartilhou um vídeo declarando que fez mais pelo Brasil do que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao combate ao crime organizado e que sua ida aos Estados Unidos nesta semana foi para “trabalhar” pela medida.

Já Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, disse que reconhece o “trabalho” atribuído por ele a Flávio e disse que a soberania nacional não está ameaçada. Ele ainda criticou a gestão do presidente Lula por, segundo ele, “nunca ter feito nada” contra o crime organizado.

“Quem ameaça a nossa soberania é exatamente o PCC e o Comando Vermelho. Eles dominam territórios dentro do Brasil. Lá, quem manda são eles, não o governo. Nossa soberania não está ameaçada, ela está roubada. E o Lula nunca fez nada a respeito. Pelo contrário, só passa pano para bandido”, disse. “A colaboração [dos EUA] é muito bem-vinda e o Flávio foi capaz de fazer aquilo que o Lula já deveria ter feito há muito tempo”, continuou.

À CNN, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) disse que a classificação de facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos é “desmoralizante” para Lula. Para Caiado, que tem a segurança pública como uma de suas principais bandeiras políticas, a nova classificação é um acerto. Ele disse que, se já fosse presidente, teria ele mesmo tomado a medida.

“É o atestado que faltava para confirmar que o Lula sempre os protegeu. O mundo e os brasileiros os reconhecem como terroristas e o Lula os classifica como vítimas dos usuários. Desmoralizante para o Lula. Já deu”, declarou.

Desempenho dos candidatos nas pesquisas

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na semana passada, o presidente Lula tem 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio num eventual segundo turno na disputa pelo Planalto.

O levantamento também avaliou possíveis confrontos entre Lula contra Zema e Caiado, respectivamente. Numa eventual disputa contra os ex-governadores, o petista soma 48% das intenções de voto contra 39% dos dois pré-candidatos.

Classificação dos EUA sobre PCC e CV

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira que classificou o PCC e o PV como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.

O comunicado, assinado pelo secretário Marco Rubio, também afirma que os EUA pretendem designar os dois grupos criminosos como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.

“O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros”, destaca o texto.

Ainda de acordo com o comunicado, o governo Trump usará todas as ferramentas disponíveis para manter drogas ilícitas fora do território norte-americano e interromper o fluxo de recursos que financiam “narcoterroristas violentos”.

“A ação tomada hoje pelo Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”, concluiu o anúncio.

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