O Ministério Público do Paraguai ordenou nesta sexta-feira (6) a prisão do ex-presidente Santiago Peña e do ex-presidente do Banco Central do país Carlos Dagoberto Carvallo Spalding.
Conforme a determinação, Peña deverá permanecer detido em sua residência até ser colocado à disposição do Ministério Público, na Unidade Especializada de Crimes Econômicos e Anticorrupção.
Quanto a Spalding, foi ordenado que permaneça detido na unidade que for definida pelo Comando da Polícia Nacional.
A ordem foi assinada por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos.
“As pessoas detidas deverão ser colocadas à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, com observância de seus direitos e garantias”, destacaram.
Isso aconteceu pouco tempo após o Senado aprovar o impeachment de Peña e destituir o presidente.
Entenda a crise do “Banco Master paraguaio”
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.