Marina critica medida dos EUA sobre PCC e CV: “Brasil não é subserviente”

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede-SP) se pronunciou sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Em entrevista ao Live CNN desta quinta-feira (11), ela defendeu a soberania brasileira e elogiou a condução diplomática do governo diante das tensões com Washington.

“Foi a família Bolsonaro que tramou contra o Brasil, como tramou novamente agora essa questão de considerar as organizações criminosas, que devem ser combatidas pelas autoridades brasileiras, semelhantes a terroristas, para dar um gancho para a intervenção no nosso país, afrontando a nossa soberania”, afirmou Marina.

Marina também destacou a atuação do presidente Lula (PT) na condução das relações com os Estados Unidos, especialmente diante dos tarifaços impostos pelo governo Trump. “O presidente Lula tem sido muito hábil, muito sábio, fazendo todas essas mediações em relação aos tarifaço”, disse.

Ela acrescentou que a diplomacia brasileira também tem sido “hábil e competente” e que o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB) também teria desempenhado um “excelente trabalho”.

Marina foi enfática ao rejeitar qualquer postura de submissão diante de pressões externas. “O fundamental é não vergar a coluna. Nós não somos um país subserviente. Temos algumas lideranças políticas que são subservientes, mas o povo brasileiro não é e merece um presidente à altura, como é o caso do presidente Lula, que conversa de igual para igual”, declarou.

Críticas ao uso de dados ambientais

Marina também rebateu o argumento ambiental utilizado pelos Estados Unidos como justificativa para as novas tarifas. Para ela, os dados utilizados seriam equivocados e corresponderiam ao período do governo anterior.

“Com certeza ele pegou os dados errados, pegou os dados do governo Bolsonaro e não do presidente Lula, que já recuperou todos os índices que estavam abandonados”, afirmou.

Ela citou ainda a elaboração do Plano Clima, a apresentação de uma nova NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) de redução de emissões de CO2, a realização da COP30 em 2025 e a redução de 750 milhões de toneladas de CO2 nos três anos do atual governo como evidências dos avanços ambientais do Brasil.

“Ele que arranje outra desculpa. Abertos ao diálogo, sempre estamos. Agora, o que não aceitamos é nenhum tipo de interferência“, concluiu.

Relação com o eleitorado evangélico

Questionada sobre os desafios do campo progressista no diálogo com os evangélicos, Marina avaliou que o problema é histórico e não pode ser atribuído exclusivamente ao presidente Lula.

Segundo ela, durante muito tempo esse segmento foi ignorado por uma parte da política e instrumentalizado por outra. “Há uma compreensão do campo progressista da importância desse segmento e de tratá-lo com respeito, no terreno das políticas públicas e não da instrumentalização da fé”, disse.

Marina reafirmou ainda a importância do Estado laico como contribuição do protestantismo: “Algumas pessoas do campo evangélico esquecem que a grande contribuição da Reforma Protestante foi de termos um estado laico para defender os interesses de quem crê e quem não crê”, concluiu a ex-ministra.

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