BDR da SpaceX: Perspectiva é muito boa para pessoa física, afirma B3

Os investidores brasileiros passam a ter acesso às ações da SpaceX a partir desta sexta-feira (12), quando a empresa de Elon Musk estreia simultaneamente em Wall Street e na B3. O BDR (Brazilian Depositary Receipt) da companhia poderá ser negociado na faixa entre R$ 50 e R$ 70, ampliando o acesso de investidores de varejo ao ativo.

A SpaceX atua nos segmentos de tecnologia espacial, desenvolvimento de foguetes, satélites e infraestrutura aeroespacial. O lançamento do BDR na B3 ocorre no mesmo dia do IPO da companhia nos Estados Unidos, operação considerada uma das mais aguardadas da história recente do mercado de capitais americano.

Como funciona o BDR da SpaceX

A negociação do BDR poderá ser feita diretamente pelo home broker das corretoras brasileiras, da mesma forma que ações, ETFs e outros recibos de empresas estrangeiras listados na bolsa.

Embora a ação da SpaceX tenha preço inicial estimado em US$ 135 — cerca de R$ 675 —, a estrutura do BDR foi definida com paridade de 1 para 15. Na prática, cada ação negociada nos Estados Unidos corresponderá a 15 BDRs no Brasil, reduzindo significativamente o valor mínimo necessário para investir na empresa.

Em entrevista ao CNN Money, Bianca Maria, gerente de Produtos e Equities da B3, afirma que o instrumento facilita o acesso do investidor brasileiro a companhias estrangeiras.

“O BDR é uma forma simplificada de acessar empresas que não estão listadas no Brasil. Em vez de enviar recursos para o exterior e arcar com custos como o IOF, o recibo é negociado diretamente na B3, em reais”, explica.

Ela destacou ainda que o investidor não precisa abrir conta em uma corretora internacional para adquirir o ativo.

Expectativas para o mercado de BDRs

A executiva afirmou que a bolsa tem grandes expectativas para a estreia do produto. De acordo com ela, o volume médio diário negociado em BDRs cresceu 47% entre o fim de 2025 e abril de 2026, alcançando R$ 1,2 bilhão por dia. O estoque total desses recibos soma cerca de R$ 48 bilhões, dos quais 32% pertencem a investidores pessoa física.

“A gente realmente espera que, assim como existe uma grande expectativa nos Estados Unidos para o IPO da SpaceX, o BDR também figure entre os ativos mais negociados na B3”, disse.

Atualmente, 62% do volume negociado em BDRs é movimentado por investidores não residentes, que realizam estratégias de arbitragem entre o recibo negociado no Brasil e o ativo listado em outros mercados. Ainda assim, Bianca vê potencial de crescimento entre os investidores individuais.

“As pessoas estão cada vez mais conscientes da importância de diversificar seus investimentos para além do Brasil. E o BDR é uma das formas mais simples e acessíveis de fazer isso”, afirmou.

Riscos e diversificação

Apesar das vantagens, Bianca ressaltou que o produto envolve riscos que devem ser considerados pelo investidor. Entre eles estão a volatilidade das ações e a exposição cambial.

“O BDR é negociado em reais, mas oferece exposição ao dólar, já que o ativo de referência é dolarizado. Tanto a oscilação da ação quanto a variação do câmbio influenciam o preço do recibo no Brasil”, explicou.

Ela recomendou que a decisão de investimento seja tomada com apoio de um assessor financeiro e alinhada ao perfil de risco de cada investidor.

Questionada sobre a possibilidade de os BDRs ajudarem a compensar a escassez de IPOs no mercado brasileiro, Bianca destacou que a B3 já oferece acesso a empresas de diferentes países, incluindo Estados Unidos, Canadá e países europeus.

Segundo ela, o avanço dos BDRs, ETFs e fundos imobiliários amplia as alternativas de diversificação disponíveis ao investidor nacional.

A executiva citou ainda empresas como Anthropic e OpenAI entre as companhias que podem futuramente abrir capital nos Estados Unidos, o que poderia resultar na criação de novos BDRs para o mercado brasileiro.

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