Eneva avalia campos maduros na Venezuela e vê espaço para gerar energia

A Eneva avalia oportunidades em campos terrestres (onshore) de petróleo e gás na Venezuela, com atenção em ativos maduros desativados por falta de investimentos, e vê a possibilidade de também gerar energia para outras produtoras no país. Segundo o CEO da companhia, Lino Cançado, ainda não há decisão de investimento e o foco dos negócios continua sendo o Brasil.

Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, Cançado afirmou que uma eventual entrada no mercado venezuelano precisará se enquadrar nas possibilidades de investimento da companhia, sem mudanças radicais no plano de negócios. A prioridade, disse, é executar os projetos no Brasil e se preparar para os leilões de capacidade.

“A gente está olhando o onshore da Venezuela, certamente campos mais maduros que foram, digamos, desativados devido à falta de investimento”, disse.

Depois que os Estados Unidos invadiram a Venezuela e prenderam o ditador Nicolás Maduro, o país passou a atrair interesse de empresas em investir no setor de petróleo e gás. Em setembro, a Halliburton anunciou a assinatura de um Memorando de Entendimentos com a Eneva para apoiar o desenvolvimento de projetos de petróleo e gás no país.

O executivo descartou operações offshore (no mar) e também no lago Maracaibo. Segundo ele, a empresa não atua no segmento marítimo, e as operações no lago envolvem maior complexidade logística e o uso de equipamentos flutuantes.

A companhia também considera, em menor proporção, oportunidades em campos greenfield, ainda não desenvolvidos. Cançado afirmou que há ativos de alta qualidade, mas que qualquer projeto precisaria ser compatível com a capacidade de investimento da Eneva.

Cançado argumentou que a Eneva pode aproveitar no país as competências da plataforma integrada de energia que construiu no Brasil nos últimos 12 anos. Essa estrutura reúne exploração e produção de petróleo e gás, segmento conhecido como upstream, geração elétrica e liquefação de gás natural, além da atuação na importação e no mercado internacional de GNL (gás natural liquefeito).

Negócios de geração de energia

Uma possível entrada nos campos venezuelanos poderia abrir caminho para negócios de geração elétrica voltados ao atendimento de outras produtoras de petróleo e gás. O executivo estimou que o país queime cerca de 50 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia em flares, sem aproveitamento comercial, e apontou potencial para utilizar esse combustível na geração de eletricidade.

“Então existe uma oportunidade de você vir a ser um gerador, mas não para o sistema venezuelano, mas para gerar energia até para os outros produtores de upstream que estão se instalando no país”, afirmou.

Cançado afirmou que os produtores terão de garantir o próprio abastecimento de energia e poderão contratar fornecedores privados. O executivo ressaltou que tanto a entrada nos campos quanto o desenvolvimento de projetos de geração continuam em avaliação, sem definição de investimentos.

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