A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) prometeu proteger “cada centímetro” do território de seus países membros após um drone russo invadir o espaço aéreo da Romênia e atingir, nesta sexta-feira (29), um prédio residencial na cidade de Galati, localizada próximo à fronteira com a Ucrânia. Uma mulher e uma criança sofreram ferimentos leves no incidente, que escalou as tensões entre o bloco ocidental e a Rússia.
O impacto do drone provocou uma explosão, mas não causou danos mais graves. Peritos romenos analisaram os destroços e confirmaram que o equipamento era de origem russa e carregava, no mínimo, 30 quilos de explosivos.
Apesar das evidências, Putin afirmou ser cedo demais para determinar a origem do drone e sugeriu que poderia ser ucraniano.
Durante o CNN Prime Time, o analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna afirmou que este foi o primeiro caso em que um drone inteiro, com sua carga explosiva completa, caiu sobre um prédio em uma cidade de um país membro da aliança.
Ele destacou que Galati já havia sido alvo de destroços de drones russos em pelo menos 47 ocasiões anteriores, mas sem o impacto direto de um equipamento intacto.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, acusou a Rússia de comportamento imprudente, enquanto Ursula von der Leyen afirmou que os russos “cruzaram mais uma linha”. A condenação uníssona do bloco ocidental reflete a gravidade do episódio, classificado como o primeiro ataque a atingir uma área densamente povoada e deixar feridos em território de um país da aliança desde o início do conflito.
Estratégia russa de intimidação à Europa
Lourival analisou que o incidente se insere em um padrão mais amplo de ações russas destinadas a intimidar a população europeia. “A estratégia do Putin era fazer com que a população europeia sentisse que precisava se defender da Rússia e não ajudar a Ucrânia a se defender da Rússia”, afirmou o analista.
Segundo ele, no ano anterior, drones russos foram enviados de forma velada a capitais europeias de países da Otan, como Copenhague, Ljubljana e Varsóvia.
Para Sant’Anna, o objetivo por trás dessa estratégia seria pressionar os europeus a reservar seus escassos estoques de armas antiaéreas para uma eventual defesa própria, em vez de fornecê-las à Ucrânia.
“Uma análise fria da realidade econômica e militar da Rússia demonstra claramente que a Rússia não tem condições de expandir essa guerra, seria um suicídio completo”, avaliou o analista, acrescentando que a ativação do Artigo 5 da Otan, em caso de ataque direto, representaria uma resposta devastadora para Moscou.
O analista concluiu que a postura mais inteligente para os europeus seria continuar apoiando a Ucrânia, que, segundo ele, tem conseguido avançar no terreno, recuperar território e degradar fortemente a economia russa.
Na sua avaliação, esse cenário poderia levar Putin a uma negociação “de forma mais sincera e honesta”, em vez de ceder ao temor de um ataque russo direto à Europa, que classificou como “uma fantasia”.