O Desenrola 2.0 registrou um volume recorde de renegociações nas primeiras semanas de operação. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mais de R$ 10 bilhões em dívidas foram renegociados, beneficiando mais de 1,1 milhão de pessoas.
Para Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, o programa ajuda famílias endividadas, mas não resolve o problema estrutural do crédito no país.
“O Desenrola é importante porque desafoga muitas famílias que estão no vermelho. Mas ele funciona como um remédio, não como a cura do problema”, diz Thiago.
Além disso, Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, alerta que programas recorrentes de renegociação podem criar incentivos negativos para parte dos consumidores.
“Programas de renegociação podem ajudar no curto prazo, mas não devem ser vistos como uma solução permanente para o endividamento. Em algum momento, essas iniciativas podem deixar de existir e a situação financeira do consumidor pode se deteriorar antes disso”, afirma Bernardo.
Já Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, avalia que o problema é o incentivo que acaba sendo dado ao mau pagador.
“Os juros elevados do crédito rotativo são explicados pela inadimplência, pelo spread bancário e pelos custos do sistema financeiro. Quando programas de renegociação se tornam recorrentes, parte dos consumidores passa a contar com descontos futuros”, observa.
Segundo ela, o custo desse risco acaba sendo distribuído para toda a sociedade por meio de taxas de crédito mais elevadas.
Thiago pondera, no entanto, que o problema não está apenas no comportamento do consumidor, mas também na forma como o crédito é ofertado no país.
“Existe o tomador de crédito inadimplente, mas também há uma oferta muito agressiva de crédito. Concordo que programas assim podem incentivar o não pagamento, mas quem gera esse volume enorme de crédito não é apenas quem pega dinheiro emprestado”, afirma.
A solução passa por combinar educação financeira com maior regulação da oferta de crédito, segundo Godoy.
“Não é uma coisa ou outra. Precisamos de mais educação financeira, mas também de mais regulamentação sobre a oferta de crédito. As duas coisas precisam caminhar juntas”, conclui.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.