Análise: O que o primeiro turno indica para Flávio e Lula?

O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições com uma vantagem de 1,87 ponto percentual sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Trata-se da menor distância já registrada em um primeiro turno na história eleitoral brasileira.

O resultado do primeiro turno, tanto nas disputas majoritárias quanto nas proporcionais, foi descrito como uma “demonstração de força” do PL pelo sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, durante o CNN 360º desta sexta-feira (9).

O partido elegeu 121 deputados federais — a maior bancada da Câmara desde 1988 —, 28 senadores com mandato a partir de 2027 e seis governadores, incluindo Douglas Ruas, eleito no Rio de Janeiro após a anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos).

O PT, por sua vez, não sofreu retração no Congresso nem nos estados. O partido reelegeu três de seus governadores e conseguiu manter o quarto estado que já governava. Na Câmara, conquistou duas vagas a mais, e no Senado preservou o mesmo tamanho para a próxima legislatura.

“O PL teve um desempenho que lembra o MDB e o PFL nos anos 90. Fez 24% das cadeiras da Câmara Federal na próxima legislatura e nada menos que 35% no Senado”, afirmou Lavareda.

Lavareda destacou ainda que, no agregador de pesquisas do Índice CNN — desenvolvido em parceria com o IPESP Analítica —, Flávio lidera o segundo turno com 49% contra 44% de Lula. Em votos válidos, isso equivale a 52,7% contra 47,3%, uma diferença de 5,4 pontos percentuais.

“Nunca houve uma virada de candidato que ganhou o primeiro turno perdendo o segundo no Brasil, mas sempre pode haver uma primeira vez”, pontuou o analista.

Aprovação de Lula e o desafio do segundo turno

O Índice CNN de outubro registrou 50% de desaprovação e 46% de aprovação do governo Lula, mantendo o saldo negativo de quatro pontos que vinha sendo observado ao longo de 2026.

Lavareda ressaltou que esse indicador representa a média de todo o ano. Em 2025, o saldo negativo foi de sete pontos. Apenas em 2023, primeiro ano do governo, o saldo foi positivo, chegando a mais 13 pontos.

“Essa aprovação baixa, suplantada sistematicamente pela desaprovação, explica boa parte ou quase todos os problemas que aparecem nos indicadores de intenção de voto”, afirmou.

Para Lavareda, a eleição é marcada por um forte desejo de mudança. Segundo ele, 40% dos eleitores querem mudança total, outros 40% querem continuidade do que está dando certo e mudança do que não está, e apenas 20% demandam continuidade plena do governo atual.

“O candidato Flávio Bolsonaro está corretamente posicionado nesse campo”, disse. A insatisfação com a economia foi apontada como o principal fator motivador do voto por mudança, seguida por questões relacionadas ao STF e à corrupção.

O que cada candidato precisa fazer

Na avaliação de Lavareda, Lula precisará confrontar a campanha de Flávio e tentar demonstrar que seu governo promoveu mudanças e que é capaz de continuar a promovê-las.

“Lula vai precisar melhorar muito a sua comunicação nesse segundo turno. No ponto de vista das análises, a campanha de Flávio Bolsonaro foi melhor nas redes, na televisão e nesse poderoso instrumento que é o WhatsApp”, afirmou.

Outro ponto debatido foi o impacto da abstenção no segundo turno. Lavareda alertou que, com 20 estados com a disputa pelo governo estadual já definida, a redução da abstenção observada no segundo turno de 2022 provavelmente não se repetirá.

No primeiro turno de 2026, somando abstenção, votos brancos e nulos, quase 40 milhões de eleitores não votaram em nenhum candidato. “Isso é praticamente, um pouquinho menos apenas, o eleitorado de todo o Nordeste brasileiro“, afirmou Lavareda.

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