Vídeo mostra funcionário em esquema de fraude contra rede de gás no RJ

Um vídeo obtido durante a Operação Medida Certa, deflagrada nesta terça-feira (11) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, mostra um dos flagrantes que ajudaram a revelar um esquema criminoso envolvendo a subtração e adulteração de medidores industriais utilizados na distribuição de gás natural.

Segundo as investigações, um funcionário com acesso privilegiado às instalações de uma concessionária teria atuado no grupo ao monitorar a movimentação dos equipamentos e repassar informações que facilitavam a retirada dos medidores.

A operação é realizada pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da concessionária. Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 32ª Vara Criminal da Capital, em endereços no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Belford Roxo e Congonhas, em Minas Gerais.

Estrutura organizada

As investigações apontam que o grupo tinha uma estrutura organizada e contava com integrantes com conhecimento técnico especializado em sistemas de medição, manutenção e operação de equipamentos utilizados no segmento de gás natural veicular (GNV). Os medidores retirados da rede eram, posteriormente, submetidos a intervenções clandestinas, com troca de componentes internos, adulteração de mecanismos de funcionamento e alteração de identificações.

Depois das modificações, os equipamentos seriam reinseridos irregularmente em atividades econômicas. A polícia investiga se o procedimento era utilizado para ocultar a origem dos medidores e permitir que continuassem sendo empregados em estabelecimentos comerciais, dificultando a identificação das fraudes.

Um dos investigados teria exercido uma função estratégica dentro do esquema por possuir acesso às dependências da concessionária. De acordo com os elementos reunidos pela polícia, ele monitorava a movimentação dos equipamentos, fornecia informações consideradas estratégicas e facilitava a retirada dos medidores. Depois dessa etapa, outros integrantes seriam responsáveis pelo transporte, adulteração, comercialização e reutilização dos equipamentos.

A investigação também identificou indícios de que esse acesso teria sido utilizado para antecipar a proprietários e administradores de postos de combustíveis informações sobre fiscalizações realizadas pela concessionária e por órgãos de segurança pública. Segundo a polícia, o investigado teria informado previamente datas, locais e equipes envolvidas nas ações.

Com os dados em mãos, estabelecimentos que poderiam estar envolvidos nas irregularidades teriam condições de ocultar evidências ou interromper temporariamente determinadas práticas antes das fiscalizações. A polícia apura se esse mecanismo contribuiu para frustrar ações de controle e permitir a continuidade das fraudes.

Dados de celulares ajudaram a identificar suspeitos

Um dos principais avanços da investigação ocorreu após a análise pericial de dispositivos eletrônicos apreendidos em uma fase anterior da operação. A extração forense dos dados permitiu, segundo a Polícia Civil, identificar novos integrantes da associação criminosa, mapear vínculos entre os investigados e empresas e compreender como o grupo atuava para ocultar a origem dos equipamentos.

As diligências também apontaram para a utilização de empresas formalmente constituídas no segmento de instalação e manutenção de equipamentos de GNV. Segundo a investigação, algumas dessas estruturas podem ter sido empregadas para viabilizar parte das intervenções técnicas realizadas nos medidores.

A participação efetiva de cada pessoa física e jurídica ainda é investigada.

Nesta terça-feira, os policiais buscam apreender medidores industriais, componentes mecânicos e eletrônicos, ferramentas especializadas, documentos técnicos e empresariais, computadores, celulares e outros materiais que possam ajudar a dimensionar o esquema e identificar novos envolvidos.

Além do prejuízo patrimonial causado à concessionária, a Polícia Civil investiga possíveis impactos das adulterações sobre a confiabilidade dos sistemas de medição e a segurança da infraestrutura de distribuição de gás natural. A preocupação é ampliada pelo caráter essencial do serviço e pela possibilidade de que equipamentos submetidos a intervenções clandestinas tenham sido novamente utilizados na rede ou em atividades econômicas relacionadas ao fornecimento de gás.

Os investigados poderão responder pelos crimes de furto qualificado, receptação qualificada, associação criminosa, estelionato e outros delitos que sejam identificados ao longo das investigações.

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