A IAA (Academia Internacional de Astronáutica, em tradução livre) apresentou, a última sexta-feira (5), regras atualizadas para avaliar e revelar a detecção de inteligência extraterrestre.
As diretrizes orientam indivíduos, instituições e organizações que participam da busca por tecnossinaturas (são definidas como evidências observáveis de tecnologia construída ou utilizada por seres extraterrestres) ou evidências de vida inteligente e tecnologia, passada ou presente, além da Terra.
As diretrizes, que abordam as realidades atuais das mídias sociais, da desinformação gerada por IA, dos deepfakes e dos ciclos de notícias 24 horas, foram construídas pelo Professor Michael Garrett (Universidade de Manchester), Presidente do Comitê SETI da IAA, com contribuições de uma equipe internacional de especialistas.
O grande objetivo do documento é conduzir a busca por inteligência extraterrestre de maneira cientificamente e academicamente rigorosa, equilibrando o imperativo de fornecer informações oportunas e precisas a um público amplo com a devida consideração pela segurança e exposição dos cientistas envolvidos, reconhecendo que os cenários científico e de comunicação estão em constante mudança.
O documento apontou oito princípios a serem seguidos.
O primeiro seria o tratamento de evidências candidatas, que corresponde que em caso de uma suposta detecção de inteligência extraterrestre, o descobridor deve envidar todos os esforços para autenticar e comprovar a detecção. Mantendo a responsabilidade e integridade científica durante todo o processo, reconhecendo o interesse da humanidade na descoberta.
O segundo seria a comunicação e o compartilhamento de informações, que orienta que instituições e organizações devem tomar medidas apropriadas para garantir a segurança de seus pesquisadores e protegê-los de repercussões profissionais negativas. Respondendo de forma adequada a solicitações razoáveis de veículos de notícias, plataformas de mídia social e outros meios de comunicação pública.
O terceiro é a comunicação da verificação, ou seja, quando houver um sinal ou outra evidência de inteligência extraterrestre, os descobridores ou suas instituições devem comunicar imediatamente essa conclusão de maneira completa, aberta e transparente ao público, à comunidade científica e ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
O quarto seria o monitoramento, o arquivamento e a acessibilidade dos dados. Os resultados devem ser preservados e disseminados para a comunidade científica internacional por meio de publicações revisadas. Todos os dados relevantes devem ser registrados, armazenados com segurança e arquivados na maior medida possível em pelo menos dois repositórios localizados em regiões geográficas diferentes.
O quinto é a proteção dos dados e das frequências. As evidências da detecção devem ser protegidas utilizando práticas científicas, incluindo registros à prova de adulteração e protocolos preventivos.
O sexto é o protocolo de pós-detecção. Assim, a IAA manterá um Subcomitê de Pós-Detecção para auxiliar e aconselhar sobre questões que possam surgir após uma detecção confirmada. Esse subcomitê apoiará análises científicas e públicas, oferecendo orientação, interpretação e discussão das implicações mais amplas da descoberta.
O sétimo são as comunicações com inteligência extraterrestre após detecção confirmada. Os pesquisadores devem cooperar com consultas internacionais apropriadas para avaliar se uma resposta a uma detecção confirmada de inteligência extraterrestre deve ser enviada e, em caso afirmativo, qual deve ser seu conteúdo. Essas consultas deverão ocorrer por meio das Nações Unidas e de outros organismos internacionais amplamente representativos.
O oitavo são as considerações éticas e jurídicas. Os pesquisadores deverão aderir aos mais altos padrões éticos, garantindo cooperação, honestidade e integridade em todos os aspectos de seu trabalho. Tendo que cumprir todas as leis e regulamentos aplicáveis.
O Instituto SETI é uma organização sem fins lucrativos, fundado em 1984, que tem a missão de liderar a busca da humanidade para compreender as origens e a prevalência da vida e da inteligência no Universo e compartilhar esse conhecimento com o mundo.
*Sob supervisão de Thiago Félix