O novo protocolo de arbitragem adotado pela Fifa para a Copa do Mundo voltou ao centro das discussões após as recentes polêmicas envolvendo a Argentina. Para a ex-árbitra da Fifa Christina Unkel, as mudanças nas regras de intervenção do VAR aumentaram a percepção de falta de justiça na competição.
Em entrevista à Reuters nesta segunda-feira (13), Unkel afirmou que o protocolo sobre erro de identidade — uma das novidades da temporada 2026/27 — foi implementado sem testes suficientes e acabou ampliando o debate sobre a atuação da arbitragem.
“Não acho que deveria ter sido aplicado dessa forma. Ficou amplo demais. Não estamos apenas mudando quem recebe a advertência. Estamos alterando toda a decisão da jogada, mudando um lance que seria falta para um lado em uma decisão completamente oposta. Isso coloca o VAR em um território de re-arbitragem que ele sempre tentou evitar”, afirmou.
A discussão ganhou força após a vitória da Argentina sobre a Suíça nas quartas de final. Na partida, o atacante suíço Breel Embolo foi expulso ao receber o segundo cartão amarelo por simulação após revisão do VAR. O técnico da Suíça, Murat Yakin, classificou a regra como “inaceitável”.
Questionada pela Reuters, a Fifa preferiu remeter a uma entrevista concedida em 8 de julho pelo chefe da arbitragem da entidade, Pierluigi Collina, na qual ele negou qualquer favorecimento à seleção argentina.
Nas redes sociais, torcedores voltaram a usar o apelido “VARgentina”, sugerindo que decisões da arbitragem estariam beneficiando a equipe de Lionel Messi.
Para Unkel, a adoção do novo protocolo acabou alimentando esse tipo de narrativa.
“Essa ampliação do protocolo sem testes adequados virou um barril de pólvora. Estou apenas esperando o próximo grande episódio”, disse.
Desconfiança crescente
A ex-árbitra ressaltou que, tecnicamente, não considera que os jogos da Argentina contra Argélia e Egito tenham apresentado erros graves de arbitragem, embora reconheça que os árbitros costumam ser o principal alvo das críticas quando um resultado desagrada.
Ela, no entanto, acredita que decisões tomadas pela Fifa fora de campo agravaram a perda de confiança dos torcedores.
O principal exemplo citado foi a diferença de tratamento em processos disciplinares recentes. O atacante norte-americano Folarin Balogun teve sua suspensão de um jogo suspensa pela Fifa, enquanto o defensor inglês Jarell Quansah recebeu punição de duas partidas após expulsão.
“A confiança dos torcedores está completamente abalada. Já cobri grandes torneios nessa função e nunca vi um nível tão grande de questionamentos, e não apenas nas redes sociais”, concluiu Unkel.
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