Uso de melatonina pode estar ligado a risco de insuficiência cardíaca; veja

O CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo) lançou um informe técnico nesta sexta-feira (14), citando estudo que relaciona o uso prolongado de melatonina com maior risco de insuficiência cardíaca. Popularizada como solução para um sono mais rápido, a automedicação do suplemento pode trazer riscos.

De acordo com o informe, há contraindicações do uso, como interações com outros medicamentos, riscos de consumo excessivo e agravamento de comorbidades. Apesar de ser tido como um tratamento “natural” para distúrbios do sono, há uma percepção equivocada de que o medicamento seria inofensivo. Os suplementos de melatonina são comercializados livremente, mas não existem dados suficientes sobre a segurança a longo prazo para a saúde cardiovascular.

“A ausência ou redução na produção de melatonina provoca distúrbios metabólicos e distúrbios rítmicos circadianos que acabam intensificando uns aos outros, culminando em uma das consequências imediatas desse círculo vicioso, que é a ocorrência da obesidade”, cita o documento.

Desde 2021, a dose diária permitida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é de 0,21 mg/dia para adultos. Além disso, o suplemento é contraindicado para crianças, gestantes, lactantes e trabalhadores de atenção contínua.

Estudo de 2025 indica aumento de diagnóstico de insuficiência cardíaca por uso prolongado

O documento do CRF-SP tem como base estudo divulgado pela American Heart Association, em 2025. A pesquisa acompanhou 130 mil adultos em um período de cinco anos que usaram melatonina por pelo menos um ano inteiro. Os resultados identificaram um aumento na probabilidade de desenvolver insuficiência cardíaca em até 3,5 vezes.

Segundo os dados, 90% dos participantes que fizeram uso ativo do medicamento apresentaram maiores chances de hospitalização, em período de pelo menos 5 anos. O grupo também apresentou o dobro de risco de morte por outras doenças.

No entanto, os pesquisadores alertam para a relação ainda incipiente entre o uso e os diagnósticos. A pesquisa apresentou limitações significativas, não foi desenvolvida para comprovar relação de causa e efeito e contradiz estudos anteriores que indicavam benefícios para a saúde cardíaca. O trabalho ainda carece de revisão por pares.

O que é a melatonina e quais os principais efeitos?

A melatonina ocorre naturalmente no cérebro, sendo um hormônio produzido pela glândula pineal em resposta à escuridão, colocando o organismo em estado de relaxamento. Nos suplementos comercializados, o composto apresenta o hormônio extraído de glândulas animais ou produzido sinteticamente em laboratório.

O hormônio também possui propriedades antioxidantes e antiapoptóticas (que evitam a morte celular programada). Seus compostos ajudam a proteger contra danos ao DNA causados pelo estresse oxidativo, um desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes no corpo.

*Com informações de Gabriela Maraccini, da CNN em São Paulo, e de Kristen Rogers, da CNN International.

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