Trump volta a alegar fraude em eleição da Califórnia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repetiu na segunda-feira (8) alegações de que as eleições da Califórnia são manipuladas, contestando sem apresentar evidências os resultados de votação que mostravam o candidato republicano que ele apoiou na corrida pela prefeitura de Los Angeles aparentemente caminhando para a derrota.

O ataque de Trump ao sistema eleitoral da Califórnia e ao que ele chamou de tempo excessivo que o estado, controlado pelos democratas, leva para contar os votos foi a mais recente reviravolta em sua narrativa de longa data de que as eleições são manipuladas contra ele e outros republicanos.

Em uma participação no programa “Meet the Press”, da NBC, exibido no domingo (7), Trump abandonou a entrevista após a apresentadora Kristen Welker questionar suas alegações não comprovadas de que autoridades eleitorais da Califórnia estavam fraudando o processo porque, após vários dias, “ainda não estavam nem perto” de finalizar os resultados.

Na segunda-feira, Trump questionou os resultados que mostravam o republicano Spencer Pratt, ex-estrela de reality show que ele apoiou na disputa pela prefeitura de Los Angeles, caindo para o terceiro lugar atrás de dois democratas — a atual prefeita Karen Bass e a vereadora Nithya Raman — seis dias após o fechamento das urnas.

“Não é possível que Spencer Pratt tenha perdido o segundo turno em Los Angeles depois da grande vantagem que tinha”, escreveu Trump. “Eleições fraudadas!”

Autoridades da Califórnia responderam que o sistema eleitoral do estado está sujeito a rigorosas medidas de segurança, incluindo testes de equipamentos de votação, controles estritos na cadeia de custódia das cédulas e verificação de todas as assinaturas.

Trump também mencionou a disputa para governador da Califórnia, na qual o republicano que ele apoiou, o comentarista de TV Steve Hilton, estava atrás de dois democratas na primária, o ex-secretário de gabinete Xavier Becerra e o bilionário ativista ambiental Tom Steyer.

“Agora eles vão trabalhar no bom sujeito Steve Hilton”, escreveu Trump, sugerindo que os democratas estariam manipulando a contagem para excluir Hilton da disputa final.

Sob o sistema de “primária aberta” da Califórnia, todos os candidatos disputam em uma única cédula, em vez de cédulas separadas para democratas e republicanos e os dois mais votados avançam para a eleição geral no segundo turno, em novembro.

Bass emergiu como a candidata claramente na liderança entre os 14 concorrentes à prefeitura, conquistando quase 35% dos votos apurados até segunda-feira. Raman, que começou em terceiro lugar, ultrapassou Pratt pela posição de número 2 no domingo e permaneceu à frente dele na segunda-feira, com 27,12% dos votos contabilizados.

Pratt, ainda em terceiro lugar com 26,69% dos votos, insistiu nas redes sociais na segunda-feira que ainda tinha chance de garantir uma vaga no segundo turno de novembro.

“Pessoal, estamos lidando com uma diferença de uma fração de ponto percentual”, escreveu ele no X. “Ainda há centenas de milhares de votos restantes, e autoridades de LA deram mais três semanas para a contagem!”

No domingo, Pratt sugeriu que uma “virada líquida de mais de 43.000 votos desde terça-feira” teria vindo de cédulas de pessoas em situação de rua. Fazendo referência a uma contagem anual recente da população sem moradia da cidade, que registrou mais de 43.000 pessoas vivendo em situação de rua em qualquer noite em Los Angeles, Pratt escreveu: “43.000, hein? Onde já vi esse número antes…? Provavelmente nada.”

“Contando votos durante semanas”

O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano Mike Johnson, também se manifestou, levantando dúvidas sobre a integridade das eleições na Califórnia.

“Eles ficam contando votos por semanas depois da eleição”, disse ele. Questionado sobre evidências de fraude eleitoral, Johnson respondeu: “Algumas dessas práticas são tão diabólicas e tão distantes da origem que é impossível provar”.

As críticas republicanas ao sistema eleitoral da Califórnia se baseiam na repetição persistente de Trump de alegações falsas de que sua candidatura à Casa Branca em 2020 foi roubada.

Assessores da Casa Branca e outras pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que a insistência nessas alegações de fraude em 2020 indica uma estratégia de Trump para justificar novas restrições ao voto e energizar sua base antes das eleições de novembro, que decidirão o controle do Congresso.

Ao classificar a eleição de 2020 como ilegítima, Trump também estaria preparando o terreno para contestar derrotas republicanas e enfraquecer democratas caso eles retomem o poder, segundo diversos especialistas eleitorais.

O processo prolongado de contagem de votos na Califórnia decorre principalmente de um sistema de votação por correio, criado para aumentar a participação eleitoral, o qual Trump há muito tempo afirma ser suscetível a fraudes.

A maior parte dos votos na Califórnia nas eleições recentes é enviada pelo correio, sendo aceitas cédulas carimbadas até uma semana após o dia da eleição, o que aumenta o tempo necessário para validação, processamento e apuração. Estados onde a votação ocorre majoritariamente presencialmente conseguem, portanto, finalizar os resultados mais rapidamente.

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