“Temos que dar um jeito de desarmar isso”, disse Vorcaro a Moraes

O relatório da Polícia Federal que apura mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, aponta que o empresário pediu ajuda ao magistrado para “desarmar” algo, dias antes da liquidação do banco, em novembro do ano passado.

“Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente, até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso, meu Deus”, diz a mensagem de Vorcaro enviada a Moraes no dia 16 de novembro de 2025, às 0h49.

No dia anterior, 15 de novembro, Vorcaro também teria procurado Moraes para perguntar se precisaria deixar o país. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu o empresário. Na mesma mensagem, perguntou: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central) tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”.

No dia seguinte, 16 de novembro, Vorcaro voltou a questionar o ministro: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. Segundo a investigação da PF, o conteúdo das conversas permite deduzir que Moraes teria municiado o empresário com informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela corporação.

Prisão e liquidação do Master

Vorcaro foi preso pela primeira vez na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai. O empresário afirmou posteriormente, em depoimento à Polícia Federal, que a viagem não tinha relação com uma tentativa de fuga e que o Banco Central havia sido avisado previamente sobre o deslocamento.

No mesmo dia da prisão, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, em meio às investigações sobre suspeitas envolvendo a instituição.

Queda de sigilo

As mensagens entre Vorcaro e Moraes vieram a público nesta terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da ação que trata do conteúdo das conversas.

A divulgação ocorre em meio a novas revelações sobre a relação entre Vorcaro e integrantes do Judiciário.

A decisão ocorreu pouco depois de o Estadão revelar conversas nas quais o banqueiro pedia ao magistrado que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Diante das informações, Mendonça pediu à PGR esclarecimentos complementares sobre a mensagem. Segundo apuração da CNN, o ministro também estaria mapeando os votos que poderia obter dentro da Corte para uma eventual apuração.

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