O Ministério da Fazenda avaliou que as expectativas de impacto econômico do tarifaço dos Estados Unidos seguem baixas, segundo informações divulgadas no boletim macrofiscal do governo federal.
No entanto, José Pimenta, colunista do CNN Money, alertou no Hora H desta quarta-feira (15) que os setores produtivos brasileiros continuam acompanhando o desenrolar dos fatos com grande preocupação diante da possível aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
O prazo para a divulgação da decisão final sobre as tarifas se encerrava na data da entrevista. José Pimenta afirmou que a investigação conduzida pelo USTR já havia sido concluída e que o relatório final deveria ser publicado hoje por determinação conjunta da Casa Branca e do próprio USTR.
Impacto limitado, segundo o governo
De acordo com a Secretaria de Política Econômica (SPE), as exportações brasileiras mostraram resiliência mesmo após as medidas adotadas pelos Estados Unidos no ano anterior, com recuperação gradual registrada desde novembro.
O documento aponta que o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras no ano passado, o que corresponde a menos de 2% do PIB.
Além disso, o redirecionamento das vendas para outros mercados teria compensado parte relevante das perdas, mantendo o efeito direto sobre a atividade econômica em patamar limitado.
A SPE avaliou que essa tendência deve se manter caso as tarifas recomendadas pelo USTR sejam de fato aplicadas.
O Ministério da Fazenda destacou ainda que as medidas anunciadas pelos Estados Unidos em junho daquele ano preveem uma lista de exceções maior do que a divulgada anteriormente, o que também contribuiria para conter o impacto agregado.
A MP do Brasil Soberano, que socorreu exportadores no ano passado, foi citada como outro fator de contenção.
Setores produtivos acompanham com cautela
Apesar da avaliação governamental, José Pimenta ressaltou que o efeito limitado apontado nos relatórios deve ser analisado “com muita atenção e cautela”.
Segundo ele, os setores estão “muito ansiosos” e acompanhando de perto o desenvolvimento dos fatos, pois uma tarifa de 25%, se implementada, colocaria pressão direta sobre os setores exportadores brasileiros.
Pimenta destacou ainda que o setor privado brasileiro reduziu significativamente sua presença em Washington em termos de defesa de interesses. Para ele, é fundamental manter essa presença e o canal de diálogo com os interlocutores norte-americanos.
“É fundamental manter a presença aqui para que o Brasil, sobretudo o setor produtivo, possa ter uma interlocução muito específica, uma interlocução em nível setorial”, afirmou.
O especialista lembrou que, em audiência pública recente, o próprio setor produtivo norte-americano chegou a defender os interesses do setor produtivo brasileiro, evidenciando o peso dos produtos brasileiros para a economia dos Estados Unidos.
Lei de reciprocidade exige cautela
Questionado sobre a lei de reciprocidade comercial aprovada pelo Brasil, José Pimenta reconheceu que se trata de uma nova ferramenta em um contexto comercial diferente do que existia há cinco ou dez anos. No entanto, ele alertou para os riscos de sua aplicação sem a devida cautela.
“É um remédio, mas tem que ser utilizado com muito cuidado, sobretudo em relação aos Estados Unidos”, disse, acrescentando que medidas desse tipo podem trazer problemas para as próprias empresas que operam no Brasil e que dependem de importação de insumos, além de afetar outras esferas do comércio internacional, como investimentos e patentes.