Um esforço internacional está em andamento para conter um surto de Ebola na RDC (República Democrática do Congo) e em Uganda, que infectou centenas de pessoas e causou dezenas de mortes suspeitas, enquanto os Estados Unidos buscam realocar um “pequeno número” de seus cidadãos afetados.
No domingo (17), a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou a epidemia de Ebola uma “emergência de saúde pública de importância internacional”.
O surto mais recente ainda não atende aos critérios de uma “emergência pandêmica”, mas a OMS alertou que a alta taxa de positividade e o número crescente de casos e mortes em todas as zonas de saúde apontam para “um surto potencialmente muito maior do que o que está sendo detectado e relatado atualmente”.
Os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos informaram no domingo (17) que houve dez casos confirmados e 336 casos suspeitos, incluindo 88 mortes na RDC.
A OMS disse que o surto está afetando a remota província de Ituri, no nordeste do país.
Na vizinha Uganda, dois casos confirmados em laboratório, incluindo uma morte, foram relatados até o momento na capital Kampala, informou a OMS.
O surto mais recente está sendo causado pela cepa Bundibugyo, um dos vários vírus que podem causar a doença Ebola, informou a OMS.
A organização classificou o surto como “extraordinário”, pois atualmente não existem tratamentos ou vacinas aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo.
Os sintomas do Ebola incluem febre, dores musculares, erupções cutâneas e, às vezes, sangramento.
O vírus é transmitido por contato direto com fluidos corporais, incluindo o manuseio de materiais contaminados ou de alguém que morreu da doença.
A taxa de mortalidade associada à cepa Bundibugyo é estimada entre 25% e 40%, segundo a organização MSF (Médicos Sem Fronteiras).

Pequeno número de americanos foram afetados com a doença
O CDC informou no domingo (17) que está apoiando parceiros interinstitucionais nos esforços para realocar “um pequeno número de americanos diretamente afetados” pelo surto.
A declaração surge após relatos de que vários americanos na República Democrática do Congo teriam sido expostos ao vírus, incluindo alguns considerados de alto risco, conforme noticiado no domingo pelo portal de notícias de saúde STAT.
A CNN não conseguiu verificar as informações de forma independente e entrou em contato com o CDC e o Departamento de Estado dos EUA para obter comentários.
O dr. Satish Pillai, gerente de Incidentes da Resposta ao Ebola do CDC, se recusou no domingo a dizer se havia algum americano entre os infectados.,
Em uma coletiva de imprensa, ele afirmou que o CDC estava “avaliando ativamente a situação no local e não comentaria sobre o estado de saúde de cada indivíduo”.
O CDC informou que está enviando recursos de seus escritórios — que já estavam no país — para auxiliar nos esforços, incluindo vigilância, rastreamento de contatos e testes laboratoriais, e mobilizará apoio adicional da sede da agência em Atlanta.
Pillai disse que o CDC não tinha conhecimento de nenhuma exposição em voos internacionais e observou que ambos os países possuem medidas de triagem de saída para evitar a disseminação do vírus por meio de viagens.

Esforços internacionais para conter a epidemia
A coordenação internacional está sendo intensificada para evitar a propagação da epidemia, enquanto especialistas alertam para condições “extremamente preocupantes”.
O ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, afirmou no domingo (17) que três centros de tratamento estavam sendo abertos na região afetada para aumentar a capacidade de atendimento em meio ao surto.
Cerca de sete toneladas de suprimentos médicos de emergência, incluindo equipamentos de proteção, tendas e camas, chegaram à capital Ituri, Bunia, no domingo, para “ajudar a ampliar os esforços de resposta na linha de frente”, segundo a OMS.
Organizações não governamentais como a MSF também estão se preparando para lançar respostas em larga escala o mais rápido possível.
A resposta é ainda mais complexa pelo fato de o surto estar ocorrendo em meio a uma crise humanitária, onde o conflito nas províncias orientais da RDC deslocou milhões de pessoas e fragilizou os sistemas de saúde.
Em Uganda, os dois casos confirmados em Kampala não têm nenhuma ligação conhecida entre si, o que “frequentemente é um sinal de alerta de que o surto na RDC é maior do que as autoridades de saúde conseguem perceber no momento”, informou Adrian Esterman, professor e chefe do Departamento de Bioestatística da Universidade de Adelaide, em um comunicado.
Entre as mortes suspeitas estão quatro profissionais de saúde, segundo a OMS.
O dr. Matt Mason, professor sênior da Escola de Saúde da Universidade da Sunshine Coast, afirmou que isso “levanta sérias preocupações sobre as lacunas na prevenção e controle de infecções e o potencial de amplificação dentro das unidades de saúde, podendo levar à disseminação para a comunidade em geral”.
Este é o 17º surto de Ebola na República Democrática do Congo desde que o vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, segundo a OMS.