Shein revela investigação da FTC nos EUA e prevê pagamentos significativos

A Shein, varejista online de fast-fashion, informou que suas operações ​nos Estados Unidos estão sob investigação da Comissão ​Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) e que, por isso, pode enfrentar multas significativas, de acordo com documentos apresentados em conexão com oferta pública inicial (IPO) prevista em Hong Kong.

A Shein está cooperando com a investigação, informou a empresa de origem chinesa em documentos publicados pela bolsa de valores de Hong Kong no domingo.

“O resultado da investigação, seja por meio de acordo ou de ⁠outra forma, pode exigir que efetuemos ​pagamentos monetários significativos que poderiam ter um efeito adverso relevante sobre nossa situação ​financeira e nossos resultados operacionais”, afirmou a empresa no documento.

Um porta-voz da FTC confirmou nesta terça-feira ⁠que a agência está conduzindo uma investigação de ⁠proteção ao consumidor contra a Shein. A FTC é responsável pela aplicação ​das ‌leis dos EUA contra práticas comerciais desleais e enganosas.

A Shein não divulgou o motivo pelo qual ⁠está sendo investigada. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A varejista de fast-fashion transferiu seus planos de IPO para Hong Kong após divulgações sobre riscos na cadeia de suprimentos se tornarem um ‌grande ⁠obstáculo às listagens ‌propostas em Nova York e Londres, de acordo com uma fonte com conhecimento direto do assunto.

O órgão regulador da China contestou trechos do documento de registro que apontavam o trabalho forçado de ⁠uigures como um risco potencial, afirmou a fonte.

A Shein ⁠tem afirmado consistentemente que não há trabalho forçado em sua cadeia de suprimentos.

No ano passado, a Shein relatou, em uma ‌carta a parlamentares britânicos, que identificou dois casos de trabalho infantil em sua cadeia de suprimentos a cada ano, em 2023 e 2024, após o governo questionar suas condições de trabalho e práticas na cadeia de suprimentos.

A Shein também tem enfrentado, nos últimos anos, o escrutínio do governo ‌dos EUA em relação às suas práticas comerciais.

A Shein pagou US$ 700.000 no ano passado para chegar a um acordo em uma ação movida por quatro condados da Califórnia devido a atrasos ⁠nas entregas.

O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, afirmou em dezembro que estava investigando a cadeia de suprimentos e as práticas de fabricação da Shein.

A Shein, que conseguiu atingir uma avaliação de quase US$100 ​bilhões em uma rodada de captação de recursos em 2022 em meio ao entusiasmo com seu modelo ​operacional enxuto, revelou no domingo que havia registrado prejuízo trimestral, em parte devido à desaceleração nas vendas após os EUA terem removido a chamada isenção tarifária “de minimis” para pequenas encomendas.

(Reportagem de Sherin Sunny em Bengaluru e de Jody Godoy e Arriana ‌McLymore em Nova York)

 

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *