São Paulo registrou, na quarta-feira (24), a tarde mais fria do ano, com temperatura máxima de apenas 13,5°C — ligeiramente abaixo da previsão de 14°C feita no dia anterior. A mínima do dia ficou em 12,3°C, resultando em uma jornada com pouca variação térmica. Além do frio intenso, a cidade também contabilizou o maior volume de chuva para um único dia de junho desde 1995.
A combinação de frio e chuva foi explicada justamente pelas nuvens carregadas que cobriram a cidade. “Foi um dia sem variação no termômetro, porque a mínima ficou ali na casa dos 12,3°C. Acabou só não baixando ainda mais por causa dessas nuvens, por causa dessa chuva que acabou mantendo o pouquinho de calor que ainda tinha aqui na superfície”, explicou o editor de conteúdo da CNN Marco Antonio Mendes.
Desabamento causa morte na Zona Leste
As chuvas intensas trouxeram consequências graves para a capital paulista. Um sobrado desabou na madrugada desta quarta-feira (24) na Zona Leste de São Paulo. O grupo de busca e resgate em estruturas colapsadas foi acionado para retirar três vítimas soterradas. Uma delas sofreu parada cardiorrespiratória e morreu no local. As outras duas foram socorridas sem ferimentos.
O imóvel, que contava com quartos de locação, foi interditado pela Defesa Civil. Cerca de 37 adultos e crianças precisaram ser encaminhados a abrigos disponíveis. A Secretaria de Segurança Pública informou que investiga o caso, e as causas do desabamento ainda estão sendo apuradas.
Sistema de alertas fora do ar após ataque cibernético
Agravando a situação, o sistema “Defesa Civil Alerta”, de abrangência nacional, permanece fora do ar desde o final de semana. A Defesa Civil de São Paulo não conseguiu enviar alertas sobre as chuvas por conta dessa indisponibilidade.
O acesso ao sistema foi suspenso pela Defesa Civil Nacional após um ataque cibernético registrado no último sábado (20), que chegou a enviar mensagens indevidas na madrugada com a palavra “misantropia”.
Sul do Brasil registra temperaturas negativas em mais de 70 cidades
O frio extremo não se limitou a São Paulo. De acordo com levantamento da Climatempo, mais de 70 cidades no Sul do Brasil atingiram temperaturas negativas. A cidade de Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina, registrou -9,2°C, a temperatura mais baixa do Brasil em 2026.
Urupema e Urubici, também na Serra Catarinense, marcaram -8°C e -5°C, respectivamente. No Rio Grande do Sul, Pinheiro Machado chegou a -5,6°C e Soledade a -4,7°C. No Paraná, Palmas registrou -2,9°C.
A manhã foi marcada por geada ampla na região, com campos brancos e lagos completamente congelados. Imagens gravadas por Sérgio Felipe Rodrigues mostraram uma espessa camada de gelo, evidenciando a intensidade do frio.
Previsão para os próximos dias
O frio deve persistir, já que o país ainda está no pico da onda de frio. Para a quinta-feira (25), Curitiba (PR) deve ser a capital mais gelada, com mínima prevista de 2°C. Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC) devem registrar 5°C e 6°C, respectivamente.
Campo Grande (MS) deve ficar em torno de 9°C, enquanto Belo Horizonte (MG) e Cuiabá (MT) devem ter mínimas de 14°C e 15°C respectivamente. Rio Branco (AC) pode registrar o fenômeno da friagem, com mínima de 17°C.
As chuvas também devem continuar nos mesmos locais, com volumes mais intensos previstos para o Rio de Janeiro, em torno de 30 milímetros. Em São Paulo, a máxima não deve superar 14°C.
Uma nova frente fria já está sendo prevista para as próximas semanas. A geada, além dos transtornos diretos à população, representa um risco para a agricultura, podendo comprometer plantações na região Sul.