Um suspeito que supostamente planejava um ataque terrorista contra um importante museu em Moscou foi detido pelas autoridades russas após uma denúncia dos Estados Unidos, anunciou no domingo (1°) o FSB, serviço de segurança da Rússia.
O FSB informou que informações compartilhadas com a Rússia por agências de segurança dos EUA levaram à detenção do cidadão russo, que é menor de idade.
O órgão declarou estar “grato ao lado americano pelas informações fornecidas”.
A detenção ocorreu depois que a Embaixada dos EUA em Moscou emitiu, no sábado (31), um alerta de segurança, informando estar “ciente de uma ameaça credível de um evento com múltiplas vítimas” na Reserva-Museu Tsaritsyno, em Moscou.
A CNN entrou em contato com o museu após a emissão do alerta e foi informada de que a instituição não tinha conhecimento de quaisquer avisos.
No entanto, vários eventos programados para ocorrer no local foram posteriormente cancelados e medidas de segurança foram implementadas, segundo a mídia estatal russa.
O suspeito, cuja identidade não foi revelada, foi detido após publicar no TikTok imagens em que aparece vestindo trajes táticos e portando um “objeto semelhante a uma arma automática”, além de compartilhar fotos tiradas na Reserva-Museu Tsaritsyno com a legenda: “Encontrei um lugar”, segundo o serviço.
O FSB informou que o adolescente era inscrito em um canal neonazista no Telegram e realizou um “número significativo de buscas relacionadas a atos terroristas passados, assassinatos em massa e outros atos de violência”.
Segundo o órgão, foram encontradas armas de airsoft na residência do suspeito.
Compartilhamento de informação
Não é incomum que os EUA compartilhem alertas de segurança com outros países — o Departamento de Estado mantém uma política de longa data de “dever de alertar” e tem a obrigação de informar comunidades de cidadãos americanos no exterior sobre eventuais ameaças.
O alerta emitido no sábado informava que o governo dos EUA estava “coordenando com as autoridades russas competentes uma resposta”.
No entanto, a Rússia nem sempre recebeu os alertas americanos com agradecimento.
Em março de 2024, durante a gestão Biden, a embaixada dos EUA em Moscou alertou que militantes do ISIS (Estado Islâmico) estavam determinados a atacar a Rússia, mencionando especificamente a existência de “planos iminentes de atacar grandes aglomerações em Moscou”, inclusive em shows.
O presidente russo, Vladimir Putin, descartou o alerta, classificando-o como uma provocação.
Dias depois, agressores invadiram o Crocus City Hall, em Moscou, e mataram mais de 140 pessoas.
O Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque.
A reação de Putin foi diferente em 2017, durante o primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, quando os Estados Unidos alertaram Moscou sobre um plano de ataque terrorista na Catedral de Kazan, em São Petersburgo.
Segundo um comunicado do Kremlin, Putin agradeceu pessoalmente a Trump pelas informações, afirmando que elas foram suficientes para localizar e deter os suspeitos.
Este alerta mais recente — acompanhado de uma declaração pública do FSB agradecendo aos EUA — ocorre em um momento de maior escrutínio sobre a relação da administração Trump com a Rússia.
Nas últimas semanas, Trump fez concessões significativas à Rússia no que diz respeito a sanções, o que provocou críticas de ambos os lados do espectro político em Washington e criou um distanciamento entre os EUA e seus aliados ocidentais.