Robôs chineses são mais rápidos que Bolt, mas não sabem desviar de paredes

O robô humanoide chinês Tiangong Ultra correu 100 metros em 8,86 segundos nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides em Pequim, na terça-feira (25), estabelecendo um novo recorde mundial, abaixo dos 9,58 segundos de Usain Bolt.

Mas o robô não derrotou o grande velocista jamaicano correndo como ele.

Bolt arrancou dos blocos de partida, elevando-se gradualmente à medida que seus passos largos se abriam e seus braços balançavam para equilibrar o corpo. Já o Tiangong Ultra começou na posição vertical, com o torso relativamente imóvel enquanto motores elétricos impulsionavam passos rápidos e controlados.

“Acho que eles fizeram um ótimo trabalho. A tecnologia usada na fabricação desses robôs para o desenvolvimento esportivo está fazendo com que eles se pareçam mais com humanos. No entanto, ainda existem limitações, ainda há áreas em que eles não chegaram lá para serem tão semelhantes aos humanos”, disse Parunchaya Jamkrajang, professor especializado em biomecânica esportiva na Universidade Mahidol, na Tailândia.

O robô Tiangong Ultra, desenvolvido pelo Centro de Inovação em Robôs Humanoides de Pequim, estabeleceu o melhor tempo na semifinal da categoria de robôs de grande porte, melhorando a marca de 9,39 segundos registrada na abertura dos jogos no sábado (22 de agosto).

Seu tempo foi mais de sete décimos de segundo mais rápido que a marca de Bolt, estabelecida no campeonato mundial de 2009 em Berlim.Outro robô desenvolvido pela fabricante chinesa de smartphones Honor também quebrou o tempo de Bolt nos jogos, embora ainda não tenha conseguido correr abaixo de nove segundos.

A corrida de velocidade tornou-se uma das principais atrações dos jogos de cinco dias, onde mais de 2.000 robôs de 666 equipes competem em tarefas esportivas e industriais. O centro de Pequim afirmou que o Tiangong Ultra acelera mais lentamente do que alguns rivais, mas tem uma velocidade máxima maior, o que lhe permite recuperar terreno mais tarde na corrida.

Isso é bem diferente do estilo de corrida de Bolt. Seu sprint recorde começou com uma arrancada poderosa dos blocos de partida, antes de ele passar para passadas longas e vigorosas. A análise da corrida de Bolt em Berlim revelou que sua passada atingiu cerca de 2,8 metros em velocidade máxima.

Tiangong Ultra parecia dar passos mais curtos e rápidos, com menos movimento dos braços e rotação do corpo.

“Nos robôs, a parte superior do corpo tende a ser bastante grande, então, quando se movem, os membros inferiores — se observarmos robôs em competições — tendem a ser relativamente pequenos, enquanto o robô tem uma altura considerável”, explicou Parunchaya. “Portanto, ele aumenta a frequência dos passos em vez de aumentar o comprimento da passada, porque precisa manter o equilíbrio do corpo enquanto corre. Trata-se essencialmente de mudar a base de apoio, para que o robô não caia enquanto corre.”

Bolt usa a extensão de suas longas pernas para cobrir mais terreno a cada passada, disse Park. Um robô pode gerar força de forma mais eficaz quando suas pernas permanecem dentro de uma amplitude de movimento menor, já que estendê-las mais exige mais dos motores.

Os seres humanos geram força para a corrida através de músculos e tendões que atuam em articulações flexíveis. Seus tornozelos, joelhos e quadris absorvem a força e devolvem parte dela a cada passada.

Um humanoide, por sua vez, depende de motores, engrenagens, baterias, sensores e software. Os avanços nos motores que acionam as articulações dos robôs ajudaram a tornar possível a corrida rápida dos humanoides, disse Park.

O desenvolvedor do Tiangong Ultra afirmou ter redesenhado partes do torso e da cintura do robô para reduzir o peso e o esforço necessário para movimentar o corpo durante a corrida.

De acordo com Guo Yijie, gerente do departamento de inovação em robôs humanoides, o centro também aprimorou os motores, a amplitude de movimento e o software de controle dos robôs. O sprint de 8,86 segundos também mostrou os limites de tal especialização.

Após cruzar a linha de chegada, o Tiangong Ultra bateu em um tapete grosso colocado além da linha de chegada para parar. Ele desabou com o impacto e um pequeno incêndio surgiu em seu torso. Na outra semifinal, um robô se desmontou durante a corrida.

O corpo de Bolt, embora mais lento segundo os números divulgados em Pequim, consegue parar, virar e recuperar o equilíbrio.

“O que eu realmente gostaria de ver é um movimento mais suave, com mais detalhes adicionados para torná-lo mais semelhante aos humanos, ou até mesmo movimentos que combinem múltiplos planos”, disse Parunchaya à Reuters.

“Ainda não vimos robôs atuais correndo e mudando de direção, ou correndo e tomando uma decisão como ‘Não vou bater nisso’, desacelerando ou reduzindo a velocidade — ainda não vimos isso.”

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