A Receita Federal identificou o uso de R$ 365 milhões em criptoativos para lavar dinheiro no setor de combustíveis. A descoberta integra as investigações da Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto.
As investigações identificaram seis novas fintechs operando como bancos paralelos para o crime organizado. Em quatro anos, as instituições financeiras movimentaram mais de R$ 26 bilhões.
O esquema incluía adulteração de combustíveis com nafta e uso de fundos para ocultação patrimonial. A sonegação fiscal e a adulteração de produtos aumentavam os lucros dos criminosos.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a fraude financeira foi descoberta por meio das informações prestadas pelas instituições por meio da e-Financeira a partir de meados de 2025.
“Estamos em uma nova etapa da operação Carbono Oculto. A Receita Federal tem trabalhado fortemente para fazer o combate às organizações criminosas no andar de cima, olhando a parte financeira que abastece e dá oxigênio ao crime organizado”, disse.
Até 2025, as instituições de pagamento não estavam obrigadas a apresentar a e-Financeira, declaração que as instituições financeiras devem enviar periodicamente à Receita Federal. Após o implemento dessa obrigação, mais de 450 instituições adicionais começaram a apresentar a declaração.
“A gente espera avançar no combate ao crime organizado de maneira inteligente, que é fazendo asfixia financeira, identificando as questões que abastecem essa engrenagem das organizações criminosas”, declarou o ministro.
A Receita Federal informou que houve a constatação de operações suspeitas após identificar depósitos realizados em espécie e contas abertas em outras instituições de pagamento, gerando uma dupla camada de ocultação. Entre 2022 e 2024, uma única instituição recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie.
Em outra frente da operação, as investigações descobriram um esquema que utilizava nafta petroquímica para adulterar combustíveis. O governo estima um prejuízo de R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em dois anos.
Os criminosos utilizavam das vantagens tributárias incidentes sobre a comercialização de nafta petroquímica. A organização criminosa, por intermédio de empresas de fachada, simulava a aquisição do produto junto a empresas do setor químico com o pretexto de destinação química/industrial.
Na sequência, a nafta era desviada para terminais de armazenamento, onde era adicionada a tanques de combustíveis automotivos, promovendo a adulteração do produto. Depois de adulterado, o combustível era transportado para postos revendedores vinculados a integrantes da organização criminosa.
Os recursos obtidos com o esquema eram remetidos a fundos de investimentos para ocultar os reais beneficiários da fraude. De acordo com o Fisco, foram identificados quatro fundos que participaram do esquema, juntamente com duas administradoras de recursos e duas gestoras.
Os quatro fundos investigados no esquema de desvio de nafta possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões.