Apesar do cessar-fogo entre Israel e Gaza, em vigor há um ano, o território palestino continua a registrar ataques israelenses com mortes quase diariamente. Segundo autoridades locais, mais de 74 mil palestinos foram mortos desde o início do conflito, em outubro de 2023.
A CNN conversou com moradores da Faixa de Gaza que vivem uma busca desesperada por familiares mortos ou desaparecidos entre os escombros que tomaram conta do território.
Suha al-Sharif é uma das que vivem esse pesadelo há três anos. Ela afirma que seu filho Jihad foi baleado e morto diante dela em novembro de 2023, durante a evacuação forçada de Gaza promovida pelas forças militares israelenses.
Obrigada a deixar o corpo do filho para trás no hospital e fugir, ela nunca parou de procurá-lo. “Minha casa se foi, meu filho se foi. Por que eu deveria viver?”, disse Suha à CNN em 2025.
A reportagem da CNN reencontrou Suha um ano depois, ainda vasculhando o cemitério improvisado do Hospital Al-Shifa em busca do filho. Durante as buscas, ela encontrou um cobertor que acredita ser o mesmo que ele carregava naquele dia.
“Eu preciso encontrá-lo, saber o lugar dele, do corpo dele, do túmulo dele, para que eu, como mãe, possa ter paz. Quero encontrar meu filho para ter paz”, relatou Suha.
A busca pelos desaparecidos
Entre os escombros, famílias tentam identificar seus entes queridos pelas roupas que usavam no dia em que foram mortos.
A Defesa Civil palestina estima que mais de 8 mil pessoas estejam desaparecidas, acreditando-se que estejam soterradas sob os escombros que se acumularam por toda Gaza. Ainda assim, localizar esses restos mortais parece quase impossível diante das restrições impostas ao território.
Mais de 60% de Gaza está sob controle israelense e é inacessível para os palestinos. Israel também bloqueou a entrada de maquinário pesado na região, condicionando a liberação ao desarmamento do Hamas.
Com isso, segundo autoridades locais, toda a devastada Faixa de Gaza conta com apenas duas escavadeiras para remover os escombros.