No Dia Mundial da Tartaruga, comemorado em 23 de maio, a CNN Brasil traz uma série de curiosidades sobre os quelônios, categoria que abrange tartarugas marinhas, cágados e jabutis, que são amplamente reconhecidos como alguns dos animais mais longevos do mundo.
De acordo com o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), a expectativa de vida das tartarugas varia entre as espécies, mas muitas podem viver entre 50 e 100 anos, com recordistas que se aproximam dos 200 anos de vida.
Tartaruga no Guinnes e veteranos da natureza
O maior símbolo de longevidade na Terra entre as tartarugas é Jonathan, um jabuti-gigante que vive na ilha de Santa Helena. Em 2022, ele foi oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records como o animal terrestre vivo mais velho do mundo e o quelônio mais antigo de todos os tempos.
Jonathan teria nascido por volta de 1832, o que significa que ele viveu eventos marcantes para a humanidade como o primeiro passo do homem na Lua. Especialistas indicam que ele pode ter até 200 anos, já que não há registros exatos do nascimento do animal.
Antes de Jonathan, o recorde era de Tu’i Malila, uma tartaruga-irradiada que viveu pelo menos 188 anos. Ela foi presenteada à família real de Tonga pelo explorador Capitão James Cook, por volta de 1777 e morreu apenas em 1965.
Outro caso importnte de vitalidade é o de Mommy, uma tartaruga-das-galápagos residente do Zoológico da Filadélfia. Em 2025, ela se tornou mãe pela primeria vez aos 100 anos, quando deu à luz quatro filhotes. O fato demonstra a capacidade reprodutiva das tartarugas.
As tartarugas marinhas também possuem vidas longas, embora documentar a idade exata seja complexo para os estudiosos. A vida delas pode varias entre 50 a 100 anos, algo comparável com os registros humanos.
A tartaruga-verde, por exemplo, tem uma expectativa de vida estimada em 70 anos ou mais.
Segredos para vida longa
A longevidade das tartarugas é explicada por uma série de fatores que combinam eficiência celular, sistema imunológico e ritmo biológico lento.
De acordo com professores da USP (Universidade de São Paulo), no texto “Tartarugas vivem mais por características genéticas e sistema imune eficiente” publicado no jornal da universidade, os animais possuem caracterísitcas genéticas que os tornam menos suscetíveis aos efeitos degenerativos do tempo.
Segundo a publicação, nos quelônios, o processo de apoptose (morte celular) é mais eficiente e menos sujeito a erros do que em outros animais. As tartarugas possuem um mecanismo que elimina rapidamente as células próximas da morte e mantém um conjunto ativo de células vivas que se regeneram.
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Os animais também tem uma grande quantidade de proteínas chamadas perforina e granzima, produzidas por células do sistema imune inato conhecidas como “células matadoras naturais”. Essas células são responsáveis por eliminar células tumorais o que torna os quelônios menos suscetíveis ao câncer e a doenças infecciosas comuns em organismos idosas.
Por serem animais de sangue frio, elas consomem menos energia para manter a temperatura do corpo. O metabolismo mais calmo resulta em um menor desgaste das células ao longo do tempo.
Além disso, as tartarugas levam muito tempo para atingir a maturidade sexual. Muitas espécies levam décadas para atingir a fase reprodutiva. As tartarugas marinhas, por exemplo, levam entre 20 e 30 anos para amadurecer, sendo que a tartaruga-verde pode levar até 35 anos.
No entanto, mesmo com a expectativa de vida alta, os animais enfrentam diversas ameaças, como a captura em equipamentos de pescam, poluição por plásticos e a perda de habitas.