Putin ameaça apreender navios de países da União Europeia

O presidente russo, Vladimir Putin ameaçou apreender navios da União Europeia em retaliação ao bloqueio europeu contra embarcações russas suspeitas de integrar a chamada “frota fantasma”. A declaração foi feita durante manobras militares da Marinha Russa no extremo oriente da Rússia. O analista-sênior de Internacional da CNN Américo Martins comenta o tema ao Bastidores CNN.

A União Europeia intensificou a pressão econômica sobre Moscou ao anunciar que passará a apreender em grande quantidade navios pertencentes à chamada Shadow Fleet — a frota semiclandestina russa que opera para transportar petróleo e gás para outros países e trazer importações para a Rússia, contornando as sanções internacionais impostas desde o início da guerra contra a Ucrânia.

Ameaça vai além das águas territoriais russas

Segundo Américo Martins, Putin deixou claro que as ações de retaliação não se limitariam às águas territoriais da Rússia, configurando uma ameaça explícita de uso da poderosa Marinha russa para intimidar embarcações europeias em outros pontos.

“Os russos vão tomar navios da União Europeia caso o mesmo aconteça com as embarcações dessa sua frota semiclandestina”, afirmou Américo Martins ao detalhar as declarações do líder russo.

Durante o mesmo evento, Putin também criticou severamente a OTAN, afirmando que a aliança estaria cada vez mais interessada em agir tanto no Extremo Oriente quanto no Círculo Polar Norte, regiões onde a Rússia possui enormes interesses estratégicos.

Ele destacou a importância dos exercícios militares que acompanhava como forma de conter o que chamou de expansão da OTAN para aquelas regiões.

Pressão econômica como estratégia de guerra

O pano de fundo das tensões em torno da “frota fantasma” é a disputa econômica que sustenta o esforço de guerra russo.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem insistido que, para o Ocidente ajudar a Ucrânia a vencer o conflito, é necessário intensificar ainda mais a pressão econômica sobre Moscou, de modo a inviabilizar a manutenção das operações militares russas, descritas como altamente dispendiosas.

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