No CNN Sinais Vitais deste sábado (15), o Dr. Roberto Kalil recebeu o psiquiatra Fábio Salzano e a nutricionista Andrea Vargas, ambos do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da FMUSP.
Eles detalharam quais são os quatro principais transtornos alimentares reconhecidos pela medicina e explicaram como cada um se manifesta.
Segundo Fábio Salzano, um transtorno alimentar é definido quando o comportamento relacionado à alimentação passa a causar impacto na saúde física, na saúde mental e nas relações sociais do indivíduo.
Anorexia nervosa
A anorexia nervosa, apesar de não ser o transtorno mais comum, afetando cerca de 1% da população, é considerada o de maior impacto em termos de mortalidade.
Trata-se de uma condição em que o paciente busca emagrecer de forma contínua e não saudável, chegando a um estado de desnutrição severa.
Bulimia nervosa
A bulimia nervosa atinge cerca de 1,5% da população e se caracteriza por episódios em que o paciente come de forma exagerada, os denominados episódios bulímicos ou compulsivos.
Diferentemente da anorexia, a preocupação central não é emagrecer, mas sim evitar o ganho de peso decorrente desses episódios.
Para isso, o paciente recorre a comportamentos compensatórios, como restrição alimentar severa, excesso de atividade física, provocação de vômitos, uso de laxantes ou diuréticos.
Salzano destacou que a distribuição por sexo é bastante desigual tanto na anorexia quanto na bulimia: “Eu tenho mais ou menos 10% de homens e 90% de mulheres.”
Transtorno de compulsão alimentar
O transtorno de compulsão alimentar (TCA) é o mais prevalente entre os quatro, afetando aproximadamente 3% da população.
Assim como na bulimia, há episódios de ingestão excessiva de alimentos, mas sem o uso de medidas compensatórias. “Eu acabo comendo muito, eu ganho peso, mas eu não uso restrição nem purgação”, explicou Salzano.
Uma característica distinta do TCA é que ele acomete homens e mulheres em proporções semelhantes, diferindo dos demais transtornos.
Transtorno alimentar restritivo evitativo
O transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) é o mais recente a ser descrito nos manuais médicos e ainda não possui uma prevalência bem definida, sendo considerado mais raro.
Nesse caso, não há preocupação com a imagem corporal, mas sim uma dificuldade específica com os alimentos, seja pelo medo de passar mal, seja pela aversão a determinadas texturas ou características dos alimentos.
“Eu como, por exemplo, sanduíches, porque o sanduíche não me atrapalha, mas eu não como verdura, não como frutas, não como feijão”, exemplificou Salzano, descrevendo o perfil típico de um paciente com TARE.