A polícia belga prendeu mais de 50 pessoas em Liège nesta terça-feira (6), após confrontos entre estudantes e autoridades, segundo a imprensa local.
Vídeos divulgados nas redes sociais e por veículos de comunicação locais mostram vidros quebrados espalhados pelas ruas, incêndios em vários pontos e centenas de manifestantes, muitos deles aparentemente jovens. Outras imagens mostram policiais bloqueando vias durante os distúrbios e usando gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar os manifestantes.
Estudantes realizam protestos nos últimos dias contra o sistema de ensino de língua francesa da Bélgica. Entre as reclamações estão o custo do ensino superior e do transporte público, salas de aula superlotadas e dificuldades para obter materiais de estudo.
Os novos confrontos ocorrem após episódios de violência registrados em junho entre manifestantes e policiais em Bruxelas, durante protestos contra reformas em parte do setor educacional belga.
O governo da Comunidade Francófona da Bélgica, responsável pelo ensino em francês, aumentou as taxas anuais de matrícula no ensino superior para a maioria dos estudantes. O valor passou de 835 euros para 1.194 euros.
Protestos na França
Mais de 260 mil pessoas participaram de manifestações espalhadas por toda a França ao longo desta terça (6), segundo o governo francês. Essa é uma das maiores mobilizações recentes do país desde os “coletes amarelos” (gilet jaunes), que protestaram em 2018 contra o governo de Emmanuel Macron.
Somente em Paris, 56 mil manifestantes foram às ruas próximas à Place de la Nation, ponto histórico parisiense. Em outras partes da capital, estudantes voltaram a bloquear o acesso a colégios. Estrasburgo, na fronteira com a Alemanha, Marselha, no sul, Lyon, na região central, Nantes, no oeste, e Caen, no norte, também tiveram grandes aglomerações.
A crise de proporções nacionais começou no Colégio Saint-Exupéry na periferia de Paris. Os alunos obstruíram o acesso à escola em protesto, cobrando por melhorias. A partir daí, a situação rapidamente escalou.
Por meio das redes sociais e com a legenda “P.O.V: o bloqueio no seu colégio não foi um fracasso” (P.O.V: ton lycée a pas flop le blocus), estudantes compartilhavam vídeos sobre os bloqueios em suas regiões. O governo francês afirma que um número sem precedentes de instituições de ensino sofre com os atos.
Nesta terça, o protesto se expandiu e contou com a presença de membros do sindicato, professores, pais e os alunos – que puxam o movimento. O grupo cobra por melhores condições de estudo, incluindo melhorias nas salas de aulas e o aumento do corpo docente. Além disso, também pesa o aumento do custo de vida e da inflação.
“Há uma falta evidente de recursos, tanto nos prédios mal reformados quanto nos que não existem. Temos superlotação de alunos em cada escola e, então, em cada sala de aula, o que torna as condições mais difíceis”, disse Erwan le Clech, professor e representante sindical durante uma passeata.
As manifestações começaram pacíficas, mas logo tiveram confrontos fortes com a polícia. Os agentes reprimiram os protestos com balas de borracha e gás lacrimogêneo.
Em alguns pontos, os manifestantes atearam fogo em latas de lixo e arremessaram objetos contra os policiais. O resultado dos confrontos foi de 488 pessoas detidas. Desde o dia 28 de setembro, 6.059 pessoas foram presas.
Denúncias sobre o uso excessivo de força começaram a inundar as redes sociais francesas. Segundo a afiliada da CNN na França, BFMTV, um estudante do ensino médio teve a mão gravemente queimada por uma granada de gás lacrimogêneo durante uma manifestação.
Em outro caso, um adolescente de 14 anos ficou seriamente ferido após um policial ter, supostamente, atirado contra ele com um lançador de gás lacrimogêneo a queima-roupa. A família diz que o jovem fraturou os dentes e teve a mandíbula quebrada, como consequência, está sem conseguir falar e se alimentando por líquidos.