O príncipe Harry se manifestou horas depois de perder, na Justiça, um processo movido contra a Associated Newspapers Limited, grupo responsável pelos jornais Daily Mail e Mail on Sunday. O julgamento durou 46 dias.
O duque de Sussex divulgou uma declaração conjunta com Doreen Lawrence, que também era autora da ação. Segundo a revista People, os dois afirmaram que recorreram ao tribunal em busca de justiça e responsabilização, mas disseram não ter obtido nenhuma das duas.
“Este acórdão representa uma reviravolta completa em relação à posição que juízes anteriores adotaram relativamente às queixas de pirataria informática apresentadas com sucesso contra a News Group Newspapers e a Mirror Group Newspapers”, afirmaram.
Harry e Doreen também criticaram o fato de o tribunal, segundo eles, ter ignorado conclusões anteriores sobre investigadores privados que teriam cometido atividades ilegais no mesmo período e em casos semelhantes.
“O fato de este tribunal ter optado por rejeitá-las representa uma inconsistência difícil de compreender ou de conciliar com o senso comum, ou com as provas apresentadas na própria sala de audiências”, disseram.
Na declaração, os dois classificaram a decisão como um “encobrimento completo e óbvio” e afirmaram que os esforços do tribunal para absolver o Mail foram “chocantes” e “injustificados”.
Eles também questionaram a avaliação de que não havia provas suficientes de irregularidades. Para Harry e Doreen, documentos apresentados durante o julgamento apontavam o contrário.
“Quando o tribunal afirma que não há provas suficientes de irregularidades, apesar de os documentos indicarem o contrário, é natural questionar como é que a justiça alguma vez poderia ser feita”, declararam.
Na sequência, citaram exemplos de provas que, segundo eles, sustentariam as acusações. Entre elas, a gravação de um investigador privado contratado pelo Mail admitindo ter obtido ilegalmente informações sobre a Baronesa Lawrence e registros envolvendo dados médicos sensíveis.
A declaração também mencionou um caso em que um investigador privado teria enviado a uma jornalista o número do assento em um voo da British Airways e detalhes da passagem de uma jovem que viajava para visitar o namorado. Segundo a People, a referência seria à ex-namorada de Harry, Chelsy Davy.
“Parece que há uma regra para os jornais e outra para os queixosos”, afirmaram. “Enquanto os queixosos apresentaram provas, os jornalistas do Mail limitaram-se a negar os fatos, e o tribunal optou por acreditar neles sem qualquer espírito crítico.”
Harry e Doreen encerraram a declaração agradecendo à equipe jurídica e às testemunhas que participaram do processo.
“Apresentamos ao tribunal provas que consideramos convincentes na época e que continuam a sê-lo. Gostaríamos de agradecer à nossa equipe jurídica por todo o trabalho árduo e a todas as testemunhas que tiveram coragem de se manifestar em busca da justiça”, disseram.
Pouco depois da divulgação da sentença, Harry foi visto na Chatham House, em Londres. Apesar da derrota judicial, o duque de Sussex apareceu bem-humorado e chegou a brincar com o ambiente.
Ao falar sobre o local, disse: “É uma das poucas salas no Reino Unido que tem ar condicionado, por isso compreendo por que todos os lugares estão ocupados.”
Harry e Elton John perdem ação contra o Daily Mail
Harry não era o único autor da ação. Outras celebridades, entre elas Elton John e Elizabeth Hurley, também processavam a Associated Newspapers Limited por suposta violação de privacidade.
Durante o julgamento, que durou mais de dois meses, os autores acusaram o grupo de interceptar mensagens de voz, escutar conversas telefônicas e recorrer a detetives privados para obter informações usadas em mais de 50 reportagens publicadas entre 1993 e 2018.

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Folhapress | 19:36 – 30/06/2026