O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou operações para localizar imigrantes em situação irregular, como parte da política de segurança do governo. A política, no entanto, é alvo de críticas da oposição e levou a questionamentos na imprensa local sobre a capacidade da autoridade migratória para implementá-la.
“Aqui, não vou aceitar a migração ilegal. Quero deixar claro: primeiro os colombianos, segundo os colombianos e terceiro os colombianos”, afirmou de la Espriella em reunião do Conselho de Segurança realizada no fim de semana na cidade caribenha de Barranquilla.
“A ordem para a Migração é clara: começar operações em coordenação com a polícia de Barranquilla para localizar imigrantes em situação irregular. Primeiro, aqueles que estão cometendo crimes. Segundo, aqueles cuja situação não está regularizada e que, no fim, terão de ser deportados. É uma ordem presidencial que deve ser cumprida”, afirmou, acrescentando que a operação deveria ter início esta semana.
“Não vou aceitar imigrantes ilegais, de onde quer que venham, que estejam cometendo delitos na Colômbia. Eles terão de ir embora, e nós vamos deportá-los”, seguiu Espriella na reunião em que apresentou os principais pontos da política destinada a “devolver a tranquilidade a todo o país”. Uma das principais medidas é o aumento do controle migratório.
Entre janeiro e setembro de 2025, foram identificados 124.442 migrantes em trânsito irregular, segundo o governo colombiano.
Nem o presidente nem o comunicado fizeram referência a nenhum grupo específico, mas a Colômbia abriga a maior diáspora venezuelana do mundo, com 2.831.561 venezuelanos, dos quais 17% estão em situação irregular (484.658).
A medida foi alvo de críticas da oposição. “A perseguição e a criminalização dos migrantes é importar as piores atrocidades que estão sendo cometidas contra milhões de seres humanos no mundo”, afirmou o senador Iván Cepeda, candidato de esquerda derrotado por de la Espriella na eleição.
“De la Espriella é corajoso para perseguir implacavelmente migrantes de países latino-americanos na Colômbia e covarde para proteger nossos compatriotas migrantes nos Estados Unidos”, continua a publicação no X.
Na mesma linha, o ex-presiente Gustavo Petro afirmou: “Os problemas da Colômbia não são com a migração que chega. Um dos problemas da Colômbia é conseguir defender os direitos humanos dos colombianos que emigram”.
O anúncio também levou a questionamentos sobre os aspectos práticos da operação. Fontes disseram ao El Tiempo que a Migración Colômbia não tem atualmente a infraestrutura que seria necessária para realizar deportações na dimensão proposta pelo governo.
A autoridade migratória precisaria, segundo essas fontes, de mais espaços para retenção temporária de imigrantes alvo de deportação. Além de uma revisão de procedimentos internos e de maior articulação com a Polícia, as secretarias de segurança e as prefeituras para determinar quais pessoas em situação irregular têm vínculos com o crime.
Ainda de acordo com a imprensa local, falta o governo estabelecer como pretende executar essas deportações e como deverá distinguir os imigrantes em situação irregular de pessoas envolvidas com atividades criminosas. Isso porque, a situação migratória irregular, por si só, não faz com que uma pessoa seja considerada criminosa na Colômbia.
Segundo a reportagem do El Tiempo, as medidas administrativas relacionadas à permanência no país e as investigações sobre possíveis crimes correspondem a procedimentos diferentes.
*Com informações da Reuters