Uma operação nesta segunda-feira (25) prendeu três pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de estelionato e fraudes financeiras contra idosos em São Paulo. Durante a ação, foram apreendidos diversos carros de luxo e ainda um jet ski.
A ação do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) cumpriu oito mandados de busca e apreensão e outros três de prisão temporária na capital paulista e nas cidades de Mogi das Cruzes e Santo André.
A polícia apontou que os idosos eram atraídos pela venda de cursos que ensinariam a usar aplicativos de Inteligência Artificial inexistentes. Os suspeitos também utilizavam empresas de fachadas com falsas promessas de redução de juros e renegociação de dívidas.
As investigações apontam que os golpes tinham como alvo principal os idosos, que eram contatados por meio de ligações ou redes sociais. O dinheiro obtido permitia ao grupo aquisições de bens de luxo, como carros e imóveis de alto padrão.
O grupo criminoso se valia da vulnerabilidade emocional e financeira das vítimas para construir uma aparência artificial de legitimidade, transmitindo confiança e reduzindo a percepção de risco. As investigações apontam para uma estrutura criminosa organizada, com divisão hierárquica, utilização de mecanismos de ocultação e estratégias deliberadas para dificultar a identificação e responsabilização dos envolvidos.
Entre as apreensões durante a operação estão um Porsche, BMW, Wolkswagen Nivus e o jet ski. O trio foi encaminhado à delegacia e os pertences passarão por perícia técnica.
Como começaram as investigações?
As investigações começaram após denúncias encaminhadas aos canais oficiais da Polícia Civil. A partir disso, os investigadores realizaram análises para identificar os envolvidos.
As atividades da quadrilha envolviam crimes de estelionato em série e associação criminosa. Com a reunião das provas, o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou o cumprimento do mandado realizado por policiais da 2ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Brasil lidera a maior porcentagem de golpes digitais na América Latina
De acordo com o relatório da Febraban Tech, publicado em março de 2026, as fraudes digitais geraram prejuízos de cerca de US$ 442 bilhões para a economia global em 2025, com circulação ilícita de recursos pelo sistema financeiro.
Quando olhado para o Brasil, o relatório Digital Banking Fraud Trends in Latin America 2026, da empresa de segurança digital BioCatch, golpes envolvendo aparelhos subtraídos cresceram em cerca de 340% no país.
Em relação a golpes de personificação — quando criminosos se passam por bancos e empresas para atraírem as vítimas — essas fraudes aumentaram em cerca de 140%.
No ranking da América Latina, México e a Argentina lideram o ranking da maior porcentagem de golpes, perdendo apenas para o Brasil, que continua no topo.
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*Sob supervisão de Rafael Saldanha