O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (30) a criação de um novo comando militar dedicado ao desenvolvimento e ao fornecimento de recursos autônomos e robóticos para todas as Forças Armadas dos Estados Unidos.
O comando, que segundo Hegseth se chamará “Comando de Guerra Autônoma”, destaca a natureza em rápida transformação da guerra e a necessidade de avançar em sistemas como drones e no uso da inteligência artificial.
A criação de um novo comando não é comum — o último foi o Comando Espacial dos EUA, em 2019 — e a medida reflete o esforço do Pentágono para migrar de plataformas de armas convencionais, que são caras, para sistemas autônomos mais baratos e baseados em IA, que se mostraram decisivos em conflitos recentes.
Diante de centenas de oficiais subalternos e soldados em Quantico, Virgínia, em um discurso repleto de críticas à mídia, Hegseth disse que o comando deve ser liderado por um oficial de quatro estrelas.
“O ritmo da guerra está mudando mais rápido do que o processo para apoiá-la”, disse Hegseth em um discurso intitulado “Estado das Forças”, no qual anunciou outras mudanças, incluindo a criação de um escritório de assuntos religiosos.
“Computação barata, superinteligência e manufatura comercial avançada possibilitaram a proliferação de ataques de baixo custo e alta precisão”, acrescentou Hegseth.
Atualmente, as Forças Armadas dos EUA contam com 11 comandos de combate, responsáveis por diferentes regiões do mundo e tarefas específicas.
Riscos da inteligência artificial
Especialistas têm manifestado receios quanto ao potencial de um desenvolvimento descontrolado da IA e de rivalidades tecnológicas que poderiam aumentar ainda mais os riscos no ambiente de segurança global.
Tanto a China quanto os EUA, os dois principais impulsionadores do desenvolvimento de ponta em IA e de sua adoção global, têm estado em desacordo quanto às políticas e às práticas do setor. Especialistas em segurança dos dois países têm clamado por medidas de proteção e pela construção de um consenso em relação à IA em sistemas militares, incluindo armas nucleares.
Os Estados Unidos já contam com seu vasto orçamento militar para colocar em operação alguns dos sistemas de armas mais caros do mundo. Mas há uma percepção crescente dentro do Pentágono de que isso não é sustentável.
“Hoje precisamos tanto de qualidade quanto de quantidade”, disse Hegseth.
Guerra na Ucrânia
A tecnologia de guerra evoluiu rapidamente nos últimos anos, mudança claramente ilustrada pela guerra da Rússia na Ucrânia.
O que começou como um conflito dominado por tanques e artilharia tornou-se, cada vez mais, uma guerra de drones.
Em desvantagem em termos de blindados e aeronaves convencionais, a Ucrânia recorreu a sistemas não tripulados de baixo custo para reconhecimento e ataque. Estima-se que os drones sejam responsáveis por cerca de 70% das baixas russas, permitindo que as operações sejam realizadas remotamente e reduzindo o risco para pilotos e tripulações.
O Pentágono tem feito alguns avanços nos últimos anos, incluindo a criação de uma força-tarefa — a Interagências Conjunta 401 — focada no combate aos drones.