Equipes de resgate em Gaza concluíram nesta quinta-feira (17) as buscas nos escombros de um prédio danificado por bomba que desabou no dia anterior. Um oficial palestino informou que 21 pessoas morreram e 45 foram resgatadas dos escombros.
Quase um ano após o cessar-fogo que pôs fim aos principais combates em Gaza, a reconstrução do território devastado ainda não começou. A maioria dos edifícios foi completamente destruída por ataques aéreos israelenses ou arrasada por tratores das forças israelenses, e quase todos os restantes sofreram danos.
A população de mais de 2 milhões de pessoas vive confinada a um terço do território do enclave, alojada principalmente em tendas improvisadas ou em quartos superlotados em edifícios danificados.
Nesta quinta-feira, tratores trabalhavam no local, removendo os escombros para preparar o terreno para tendas, onde os sobreviventes, dentre as mais de 110 pessoas que viviam no prédio, poderiam ser abrigados. Os moradores vasculhavam os escombros recolhendo seus pertences, incluindo alimentos.
“Ficamos em choque com a cena que presenciamos. Imagine ver seus familiares sob os escombros — alguns deles despedaçados, outros mortos”, disse Nader El-Ejlah, um sobrevivente que afirmou que vários de seus parentes morreram no desabamento.
El-Ejlah disse que a família se mudou para o prédio danificado porque não conseguiu encontrar outro abrigo. A menos que se encontre uma solução para fornecer novos abrigos às pessoas desabrigadas, o desabamento não será o último, afirmou.
“Perdemos nossa família, ainda há pessoas cujo destino permanece desconhecido até hoje. Existem vários prédios em Gaza que, até o momento, estão prestes a desabar”, disse ele.
Mahmoud Basal, porta-voz do Serviço de Defesa Civil Palestino em Gaza, disse à Reuters que havia oito crianças entre os mortos e que cerca de metade dos feridos também eram crianças.
“Não temos o equipamento necessário. Apesar disso, as equipes de resgate fizeram um trabalho heroico e resgataram 45 pessoas dos escombros, levando-as para hospitais para tratamento”, disse Basal à Reuters por telefone, de Gaza.
Autoridades palestinas e da ONU culpam as restrições israelenses a Gaza pela falta de maquinário pesado para remover escombros e reconstruir casas. Israel afirma que suas restrições visam impedir que equipamentos caiam em mãos de militantes.
As autoridades palestinas afirmam que mais de 73 mil pessoas foram mortas no ataque de Israel à Faixa de Gaza, que foi iniciado depois que combatentes liderados pelo Hamas mataram 1.200 pessoas em um ataque ao sul de Israel em outubro de 2023.
Um cessar-fogo mediado pelos EUA, acordado no ano passado, prevê a reconstrução gradual do território, mas houve pouco progresso, visto que os negociadores não conseguiram chegar a um acordo sobre as condições para o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses.