O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2) que o Brasil é que deveria anunciar uma taxação sobre mercadorias vindas dos Estados Unidos, e não o contrário.
A fala se dá um dia depois de o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propor a imposição de tarifas de 25% sobre as importações brasileiras.
“Eu, então, fiz questão de provar, escrevendo artigos nos jornais americanos, mandando carta ao governo americano, dizendo que eles estavam mentindo, porque os Estados Unidos não tinham déficit com o Brasil. O superávit americano com o Brasil nos últimos 15 anos ultrapassa US$ 415 bilhões […] Então, quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, não eles”, disse.
A declaração do petista faz referência ao “tarifaço” imposto pelos EUA no primeiro semestre de 2025. À época, a Casa Branca alegou um suposto déficit do país em relação ao Brasil.
Alguns meses depois do anúncio, Lula se encontrou com o presidente norte-americano Donald Trump, em Nova York, para a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Na ocasião, em setembro, Trump afirmou que teve uma “química” com Lula.
Em novembro, o republicano zerou algumas das taxas impostas sobre produtos brasileiros, como carne e café. A decisão se deu depois de o republicano se encontrar e conversar, em mais uma ocasião, com Lula.
A fala do petista nesta terça (2) se deu durante participação em evento no campus do IFG (Instituto Federal Goiano), em Catalão, um dia depois de o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) divulgar documento propondo a imposição de tarifas de 25% sobre as importações do Brasil, com exceção para mercadorias sujeitas às tarifas de “segurança nacional”.
Em seu discurso, Lula associou a possibilidade de novas taxas ao senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio se encontrou com Trump em Washington na última semana. O senador negou ter pedido a medida para o republicano.