Navio de guerra dos EUA passa dias sem energia no Mar da China Meridional

Um destróier de mísseis guiados da Marinha dos EUA passou quatro dias no mês passado sem banheiros, cozinha e ar-condicionado funcionando, no calor escaldante do Mar da China Meridional, após a embarcação perder energia.

O incidente foi causado por uma falha de engenharia a bordo do navio de guerra, informou a 7ª Frota dos EUA em um comunicado à CNN, mais um revés em meio a crescentes preocupações com a grande pressão sobre a Marinha dos EUA devido à guerra com o Irã e aos compromissos globais.

O USS Benfold, um destróier de mísseis guiados da classe Arleigh Burke, estava em operações de rotina no Indo-Pacífico em 24 de julho, quando ocorreu uma “falha de engenharia envolvendo seus geradores”, disse o comandante da Marinha Matthew Comer, porta-voz da 7ª Frota.

O Benfold costuma fazer parte do grupo de ataque que acompanha o USS George Washington – o porta-aviões que atualmente se dirige ao Oriente Médio para substituir o atribulado USS Abraham Lincoln – mas parece ainda estar na Ásia.

Além de perder a capacidade de manobrar por conta própria, o navio de guerra de quase 10 mil toneladas teve seus serviços de cozinha, banheiros, ar condicionado e água potável afetados, disse Comer.

“Não houve feridos entre os tripulantes, que demonstraram resiliência, garra, profissionalismo e firmeza inabalável em sua resposta”, afirmou Comer em comunicado.

A causa da queda de energia – relatada inicialmente pela USNI News, que afirmou ter ocorrido no Mar da China Meridional – está sendo investigada.

Isso ocorre em um momento em que a Marinha dos EUA está sob crescente escrutínio após relatos de baixa moral e problemas de saúde mental a bordo do porta-aviões Abraham Lincoln no Oriente Médio, depois de ter permanecido mais de 200 dias sem atracar em um porto durante operações contra o Irã.

Analistas e legisladores democratas afirmaram que a Marinha dos EUA está sendo sobrecarregada pelas demandas da guerra com o Irã e pelos compromissos globais da Marinha.

Embora Comer não tenha especificado o local exato da falha, os registros meteorológicos mostram que as temperaturas diurnas no Mar da China Meridional no final de julho variaram, em média, entre 32 e 37 graus Celsius.

Carl Schuster, um ex-capitão da Marinha dos EUA, que disse ter passado cerca de quatro horas a bordo de um destróier sem energia perto de Porto Rico, descreveu como é estar em uma situação como essa.

“Deve ter sido bastante estressante. Os oficiais de operações estavam preocupados com o moral da tripulação e com questões operacionais, os engenheiros estavam focados em como resolver o problema e o navegador estava preocupado com a direção para a qual estavam derivando e com as condições climáticas que se aproximavam. A tripulação estava preocupada com o clima, a comida e o que aconteceria a seguir. O comandante e o imediato estavam preocupados com tudo isso e com a chegada do socorro”, disse Schuster.

“Posso garantir que quatro horas nas águas a sudeste de Porto Rico não são nem de perto tão estressantes quanto quatro dias no Mar da China Meridional”, acrescentou.

A Marinha informou que um segundo navio de guerra americano, o cruzador de mísseis guiados USS Robert Smalls, forneceu refeições prontas para o Benfold durante a pane elétrica. Outros navios do Grupo de Ataque do Porta-Aviões USS George Washington, baseado no Japão, também prestaram auxílio durante os quatro dias em que o Benfold ficou sem energia, antes de ser rebocado para a Baía de Subic, nas Filipinas, para reparos, segundo Comer.

Os reparos foram concluídos em 8 de agosto e o navio retornou ao serviço, segundo comunicado da Marinha.

O grupo de ataque do porta-aviões USS George Washington está a caminho do Oriente Médio para substituir o USS Lincoln e seu grupo, disse um oficial da Marinha à CNN. Mas a Marinha não informou nesta segunda-feira (17) se o porta-aviões USS Benfold havia sido enviado junto com o grupo de ataque do Washington para as águas próximas ao Irã.

Observadores navais no Japão relataram que a embarcação já chegou ao país, de acordo com o USNI News.

O incidente com o USS Benfold é a segunda falha de energia a atingir um destróier da Marinha dos EUA na área de responsabilidade do Comando do Pacífico – que se estende das águas da costa oeste dos EUA até a fronteira oeste da Índia e do Polo Norte até a Antártida.

Em maio, o USS Higgins ficou sem energia e propulsão por várias horas na região do Indo-Pacífico, conforme informou um oficial de defesa dos EUA à CNN na época, após sofrer o que um comunicado da Marinha chamou de “avaria de engenharia” em seu sistema elétrico. Eles não especificaram onde o incidente ocorreu.

Os destróieres da classe Arleigh Burke, como o Benfold e o Higgins, são os principais navios da frota de superfície da Marinha dos EUA, com mais de 70 em serviço.

Dependendo da configuração, os navios de 152 metros de comprimento e quase 10 mil toneladas de deslocamento transportam tripulações de 329 a 359 pessoas.

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