A Natura deve registrar uma recuperação gradual e consistente de seus negócios no Brasil ao longo do segundo semestre, após a forte queda na receita do segundo trimestre, afirmou o diretor-executivo para a América Latina, João Paulo Ferreira, nesta terça-feira (11).
Em teleconferência com analistas, o executivo disse que os fundamentos do negócio estão melhorando gradualmente no terceiro trimestre, e que acredita que os problemas na cadeia de suprimentos que prejudicaram as vendas estarão superados até o período de Natal.
Ferreira acrescentou que o grupo enfrentou uma severa falta de produtos, especialmente na segunda metade do trimestre passado, e que a paralisação da operação para a troca do sistema de gestão SAP expôs desequilíbrios na cadeia de abastecimento.
O executivo destacou ainda que a implementação do novo modelo operacional, que resultou na redução de cerca de 25% do quadro administrativo, trouxe dificuldades de execução para a companhia, mas afirmou que a empresa já alcançou um estágio de estabilização.
Segundo a diretora financeira, Silvia Villas Boas, o novo modelo operacional deve permitir que a Natura encerre 2026 com uma estrutura de capital considerada ótima e com geração de caixa superior à registrada no ano passado.
Em 2025, o grupo reportou FCFF (fluxo de caixa para a firma) de R$ 753 milhões nas operações continuadas.
De acordo com analistas do Itaú BBA, a Natura deve continuar perdendo participação de mercado ao longo do segundo semestre de 2026, já que a resolução das questões relacionadas ao sistema de planejamento integrado e à integração mais ampla dos sistemas será um processo gradual.
Por outro lado, Rodrigo Gastim e equipe destacaram em nota que a isenção de imposto para vendas diretas, em vigor a partir de julho de 2026, deve contribuir para a melhoria da margem bruta no Brasil.
“A Natura não prevê repassar esse benefício aos preços”, acrescentaram.
A companhia também revisou sua ambição de margem Ebitda para 2026.
Ao divulgar os resultados do segundo trimestre, afirmou que reavalia o objetivo de expandir a margem Ebitda em relação aos 14,1% registrados em 2025, argumentando que perseguir essa meta exigiria cortes em investimentos considerados essenciais, como marca, marketing, pesquisa e desenvolvimento e outras alavancas de crescimento.
Em seu guidance anterior, a Natura indicava a expectativa de encerrar 2026 com margem Ebitda superior aos 14,1% registrados em 2025.
Às 10h40, as ações subiam 3,3% para R$ 8,35 depois de abrirem o pregão em queda de mais de 2%.