Milho recua em Chicago com mercado atento ao clima e à oferta global

Os preços do milho encerraram a sessão desta quinta-feira (30) em baixa na Bolsa de Chicago, em um mercado que segue acompanhando as condições climáticas nos Estados Unidos e a evolução da oferta global do cereal.

O contrato futuro com vencimento em dezembro recuou 0,69%, encerrando o dia cotado a US$ 4,68 por bushel.

Segundo análise da Royal Rural, embora o clima nas lavouras norte-americanas continue no radar dos investidores, o mercado também monitora o avanço da colheita na Argentina e no Brasil. A oferta dos principais exportadores influencia diretamente a formação dos preços internacionais, já que Chicago reflete o equilíbrio entre produção, exportações e disponibilidade física do grão em nível global.

As atenções agora se voltam para os próximos relatórios oficiais de oferta e demanda. No dia 12 de agosto, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgará uma nova atualização das estimativas de produção, estoques e consumo mundiais. Já em 13 de agosto, será a vez da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apresentar sua revisão para a safra brasileira.

De acordo com a Royal Rural, os dois levantamentos são considerados decisivos para o mercado e podem provocar forte volatilidade tanto nas cotações da Bolsa de Chicago quanto na formação dos preços do milho no mercado brasileiro.

Soja

Os preços da soja fecharam em baixa na Bolsa de Chicago, pressionados pelas previsões de chuvas para importantes áreas produtoras dos Estados Unidos e pela continuidade das vendas por parte dos fundos de investimento.

O contrato futuro com vencimento em novembro recuou 0,34%, encerrando o pregão cotado a US$ 11,88 por bushel.

Segundo análise da Granar, as precipitações registradas nas Grandes Planícies Centrais e no estado de Iowa melhoraram as perspectivas para as lavouras norte-americanas. A previsão é de que esse sistema avance nos próximos dias para o cinturão central e leste de produção de soja e milho, beneficiando as áreas que enfrentaram temperaturas acima da média durante o período crítico de floração.

Apesar da expectativa de alívio com as chuvas, o monitoramento da seca nos Estados Unidos continua indicando deterioração das condições em parte do Meio-Oeste. O levantamento mais recente mostrou aumento da área com seca moderada, de 12,9% para 21,52%, e da área com seca severa, de 3,35% para 6,89%.

Refletindo esse cenário, o USDA elevou de 18% para 26% a parcela da área cultivada com soja afetada por algum nível de seca. Mesmo assim, o mercado interpretou que as previsões de precipitações nos próximos dias podem limitar perdas produtivas, o que contribuiu para a queda das cotações em Chicago.
Trigo

Os preços do trigo fecharam em alta na Bolsa de Chicago, sustentados pelo aumento das tensões geopolíticas na região do Mar Negro, um dos principais corredores de exportação de grãos do mundo.

O contrato futuro com vencimento em setembro avançou 0,42%, encerrando o pregão cotado a US$ 6,63 por bushel.

Segundo análise da Granar, embora o mercado tenha devolvido parte dos ganhos registrados no início do dia, as cotações permaneceram no campo positivo diante da preocupação com possíveis impactos sobre o comércio internacional de grãos. Durante a sessão noturna, os preços chegaram a subir cerca de US$ 9 por tonelada.

O movimento foi provocado pela intensificação dos ataques da Ucrânia contra alvos estratégicos da Rússia na região do Mar Negro. Entre os principais episódios está o ataque com drones ao porto de Taman, na região de Krasnodar, que atingiu um terminal de exportação de grãos da Demetra, uma das maiores empresas agrícolas russas. Segundo a Reuters, a estrutura sofreu danos considerados significativos.

Na mesma região, também foi alvo uma unidade de exportação de óleo de girassol da Efko, uma das maiores processadoras de alimentos e produtos agrícolas da Rússia.

Os ataques se somam ao bombardeio registrado na véspera contra uma refinaria da Lukoil, em Perm, que interrompeu as operações de uma importante unidade de processamento de petróleo do país. Além disso, novas ofensivas contra embarcações russas nos mares de Azov e Negro reforçaram as preocupações com a segurança da logística regional.

Para o mercado, a escalada dos conflitos aumenta o risco de interrupções nas exportações de grãos pelo Mar Negro, fator que segue oferecendo suporte às cotações internacionais do trigo.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *