Os contratos futuros do milho fecharam em baixa nesta segunda-feira (19) na bolsa de Chicago. O vencimento para dezembro recuou 1,53%, cotado a US$ 4,67 por bushel, e chegou a operar próximo de US$ 4,68, menor nível em cerca de oito semanas.
Segundo a consultoria Royal Rural, a pressão sobre os preços está relacionada à redução das apostas de alta dos fundos de investimento e à perspectiva de avanço da colheita nos Estados Unidos. Dados da CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities) mostram que a posição líquida comprada dos fundos caiu de 329,8 mil para 246,4 mil contratos em uma semana, uma redução de aproximadamente 25%.
O movimento indica que os investidores estão diminuindo a exposição à valorização do grão, o que amplia a pressão vendedora no mercado futuro.
A previsão de uma semana mais seca no Cinturão do Milho, principal região produtora dos Estados Unidos, favorece o avanço das máquinas no campo e aumenta a expectativa de entrada de novos volumes no mercado. Embora os relatos de produtividade ainda sejam variados, o clima mais favorável reduz o risco de atrasos nos trabalhos.
Na América do Sul, o ritmo de comercialização da safra argentina acrescenta pressão à oferta. Os produtores do país venderam aproximadamente 5,1 milhões de toneladas de milho nas últimas cinco semanas, quase o dobro do volume habitual para o período. O maior volume disponível pode intensificar a concorrência com o produto norte-americano no mercado internacional.
O cenário reforça a percepção de oferta abundante em Chicago e mantém os preços sob pressão. A perda do patamar de US$ 4,70 por bushel também chama a atenção dos operadores, já que novas quedas podem estimular vendas adicionais, caso o mercado não consiga recuperar esse nível.
Agora, os investidores acompanham o relatório de progresso da colheita do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). A confirmação de avanço expressivo dos trabalhos pode manter a pressão baixista, enquanto indicações de produtividade abaixo das expectativas podem oferecer algum suporte às cotações.
Soja
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na bolsa de Chicago e o vencimento para novembro perdeu 0,61%, cotado a US$ 12,53 por bushel, pressionado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelo aumento da oferta no mercado.
Segundo análise da Agrinvest, a entrada da nova safra americana e a maior disponibilidade do grão tem pressionado os preços no mercado físico do interior do país, refletida no enfraquecimento dos basis, indicador que mede a diferença entre o preço local e a cotação do contrato futuro.
No Brasil, o plantio da safra 2026/27 avança e já se aproxima de 30% em algumas estimativas, com ritmo superior ao observado no mesmo período do ano passado. O progresso reduz parte das preocupações com o início do ciclo, embora o excesso de chuvas no Paraná permaneça no radar, com potencial para dificultar os trabalhos no campo.
Pelo lado da demanda, o USDA voltou a registrar novas vendas de soja. Entre 14 de outubro e esta segunda-feira, os anúncios somaram 1,47 milhão de toneladas destinadas à China e outras 780 mil toneladas para destinos não especificados.
Trigo
Os contratos futuros do trigo fecharam em baixa em Chicago, com o vencimento para dezembro caindo 0,79%, cotado a US$ 6,55 por bushel, mantendo a trajetória negativa após o cereal registrar a sétima semana consecutiva de perdas na sexta-feira.
De acordo com a Granar, o mercado continuou pressionado pelas vendas de contratos por parte dos investidores, em um cenário de concorrência internacional e avanço da colheita no Hemisfério Sul. A valorização do dólar em relação ao euro também reduz a competitividade do trigo dos Estados Unidos diante da oferta da União Europeia.
A queda acumulada das cotações desde o fim de agosto, estimada entre 16% e 17%, vinha favorecendo a competitividade do cereal americano no mercado internacional. Mesmo assim, os indicadores mais recentes de exportação reforçaram as preocupações com a demanda.
O USDA informou que os embarques de trigo totalizaram 240.308 toneladas na última semana, abaixo das 307.025 toneladas registradas no relatório anterior. O volume também ficou aquém das estimativas do setor privado, que projetavam embarques entre 300 mil e 400 mil toneladas.