Durante a busca por uma alimentação mais saudável, perda de peso, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho físico, uma dúvida costuma surgir: é melhor procurar um nutrólogo ou um nutricionista? Embora os dois profissionais atuem diretamente na promoção da saúde por meio da alimentação, existem diferenças importantes na formação, nas atribuições e nos tipos de acompanhamento oferecidos.
Segundo o Dr. Rennan Bertoldi, médico nutrólogo e professor do curso de medicina da Unisul, a principal diferença está na formação e na abordagem de cada profissional.
Enquanto o nutrólogo é formado em medicina e especializado na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de doenças relacionadas à nutrição e ao metabolismo, o nutricionista possui formação específica em nutrição, com foco na avaliação nutricional, no planejamento alimentar e na elaboração de estratégias dietéticas individualizadas.
Apesar das particularidades, as duas áreas são complementares e podem atuar juntas no cuidado com o paciente, especialmente em situações que envolvem obesidade, diabetes, deficiências nutricionais e mudanças na composição corporal.
O especialista ainda esclareceu algumas das principais dúvidas sobre o tema. Confira abaixo:
Qual é a principal diferença entre nutrólogo e nutricionista?
“O nutrólogo é um médico especializado em Nutrologia, área que estuda a relação entre nutrição, metabolismo e saúde. Sua atuação envolve a investigação de alterações clínicas e metabólicas, a prevenção e o tratamento de doenças, além do acompanhamento de pessoas que buscam melhorar a composição corporal e o desempenho físico.
Já o nutricionista é formado em Nutrição e atua na avaliação do estado nutricional, na elaboração de planos alimentares individualizados e no acompanhamento dietético de pessoas saudáveis ou com doenças.
As duas profissões compartilham conhecimentos, mas possuem formações e atribuições específicas.”
Quem deseja emagrecer deve procurar qual profissional?
“Depende das necessidades de cada pessoa. Quem deseja reduzir gordura corporal, melhorar os hábitos alimentares e organizar a alimentação pode se beneficiar do acompanhamento nutricional.
Por outro lado, quando há obesidade, alterações metabólicas, doenças associadas ou dificuldade persistente para perder peso, a avaliação médica pode ser especialmente importante para investigar possíveis causas clínicas.
O especialista também ressalta que emagrecer não significa apenas reduzir o número na balança. É importante preservar a massa muscular, melhorar a saúde metabólica e buscar resultados sustentáveis.”
O nutrólogo pode prescrever dietas? E o nutricionista pode solicitar exames?
“Sim. Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a atuação do nutrólogo não se limita à prescrição de medicamentos e suplementos. O médico também pode indicar intervenções alimentares e planos dietoterápicos, considerando as necessidades clínicas e metabólicas do paciente.
O nutricionista, por sua vez, pode solicitar exames laboratoriais necessários ao acompanhamento dietoterápico e utilizar os resultados para avaliar o estado nutricional, identificar inadequações e ajustar o planejamento alimentar.
A diferença está principalmente na finalidade da avaliação: enquanto o nutricionista realiza o diagnóstico nutricional, o médico pode investigar e diagnosticar doenças, além de estabelecer tratamentos clínicos específicos.”
Como saber se o médico é realmente especialista em Nutrologia?
“Um ponto importante é verificar se o profissional possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Nutrologia. A especialidade é oficialmente reconhecida no Brasil, e o título pode ser obtido por meio de residência médica reconhecida ou pela aprovação em exame de título de especialista, conforme os requisitos exigidos.
Cursos de pós-graduação e capacitações complementares, isoladamente, não conferem o título de especialista. Por isso, antes de agendar uma consulta, o paciente pode verificar a qualificação do médico nos registros públicos dos Conselhos de Medicina.”
Nutrólogo e nutricionista podem acompanhar o mesmo paciente?
“Sim, e essa integração pode ser especialmente importante em casos de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, desnutrição, perda de massa muscular e transtornos alimentares.
No acompanhamento de pessoas que praticam atividades físicas, por exemplo, o nutrólogo pode investigar alterações metabólicas, deficiências nutricionais ou condições clínicas que interfiram no desempenho e na recuperação. Já o nutricionista pode organizar a alimentação de acordo com a intensidade dos treinos, a rotina e os objetivos individuais.
A atuação conjunta permite considerar diferentes aspectos da saúde e estabelecer estratégias de acompanhamento mais completas.”
Crianças, gestantes e idosos também podem precisar desses profissionais?
“Sim. As necessidades nutricionais mudam ao longo da vida e exigem cuidados específicos.
Na infância, a alimentação precisa acompanhar o crescimento e o desenvolvimento. Durante a gestação, as mudanças fisiológicas e metabólicas demandam atenção às necessidades nutricionais da mãe e do bebê. Já entre os idosos, a preservação da massa muscular e da força é fundamental para reduzir o risco de fragilidade e perda de capacidade funcional.
Nessas situações, o acompanhamento pode envolver nutricionistas, nutrólogos e outros médicos, como pediatras, obstetras e geriatras, conforme as necessidades individuais.”
Quando vale a pena procurar os dois profissionais?
“O acompanhamento conjunto pode ser especialmente indicado quando o paciente apresenta condições clínicas que exigem tratamento médico e, ao mesmo tempo, mudanças importantes na alimentação.
Pessoas com obesidade associada a doenças metabólicas, diabetes, deficiências nutricionais persistentes ou necessidades específicas relacionadas ao desempenho esportivo podem se beneficiar dessa abordagem.
A escolha do acompanhamento deve considerar os objetivos e as condições de saúde de cada paciente. Em muitos casos, a atuação conjunta do nutrólogo e do nutricionista permite identificar necessidades que vão além da alimentação e construir estratégias mais completas, tanto para o tratamento de doenças quanto para a promoção da saúde.”