Maior nome do futebol feminino do Brasil, Marta ignora as conversas que tratam de uma possível aposentadoria dos gramados. A atleta, aos 40 anos, garante estar ainda com muita “fome” no futebol, de olho na disputa da Copa do Mundo de 2027, que será realizada em solo brasileiro.
“Você conhece minha trajetória? Você me acompanha todos os dias? Você sabe o quanto me cuido? Se ainda estou jogando nessa idade, é porque de alguma coisa eu tive que abrir mão. É porque ainda enxergo algo dentro de mim. Na minha mente, no meu corpo. No dia em que eu sentir que nada disso faz mais sentido, eu vou parar. Eu me conheço melhor do que ninguém. Sei dos meus limites, mas sei também da minha capacidade. E é por isso que estou jogando até hoje”, disse Marta em entrevista à “Marie Claire”.
Eleita seis vezes pela Fifa como a melhor do mundo, e com um currículo recheado de conquistas, incluindo três medalhas olímpicas de prata, Marta sonha com o troféu da Copa do Mundo do ano que vem, mas não quer colocar uma pressão exagerada sobre ela e as demais jogadoras brasileiras.
“Esses feitos, que pra mim são inéditos, serviram pra impulsionar a modalidade. Tanto é que estamos vivendo hoje um cenário positivo e promissor. Então a falta dessa medalha não me frustra”, assegura.
“O que mais ouço é que tenho que me despedir com chave de ouro. Sei das expectativas das pessoas, mas estou vivendo um dia de cada vez. Minha vida inteira tive essa cobrança, então já não sinto mais esse peso. Eu não perco uma noite de sono pensando na Copa do Mundo Feminina do ano que vem”, completou.
Ainda assim, é inegável que a conquista do Mundial no Brasil seria algo extraordinário. “Se pudesse, trocaria todos os meus títulos individuais por um coletivo, porque sei que isso é importante para as meninas da Seleção, para o nosso país, para o povo brasileiro”, prosseguiu.
Marta ainda mostrou humildade ao analisar o papel que possui no desenvolvimento e crescimento do futebol feminino no país. “Não sou pioneira, sou uma continuação de um projeto de milhares de atletas que começaram antes de mim. Eu só dei seguimento, achei aquela sementinha que plantaram lá atrás e reguei. E tenho noção de que a terra ainda não está tão fértil assim, então vamos cuidar dela, porque uma hora vamos conseguir colher os frutos”, ensinou.