Mais de 400 peixes-leão foram capturados e entregues à Colônia de Pescadores Z-22 de Porto Seguro, na Bahia, só no mês de agosto. O município apresenta uma iniciativa que visa conter o avanço da espécie do Indo-Pacífico que vem se expandindo pela costa brasileira e representa uma ameaça à biodiversidade marinha e aos recursos pesqueiros.
A Gestora do Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora e Oceanóloga Martina Rossato aponta que a iniciativa articula poder público, universidade, pescadores, operadores de mergulho e outros segmentos ligados ao ambiente costeiro e marinho.
O projeto teve início em 2025 antes ainda de exemplares do animal serem encontrados nos extremos sul da Bahia. Nessa fase, a ação preventiva era realizada composta por ações de informação, conscientização e sensibilização, voltada principalmente a pescadores, mergulhadores e outros usuários do ambiente marinho. Naquele primeiro momento, o objetivo era preparar esses grupos para reconhecer a espécie, evitar acidentes durante a manipulação e comunicar avistamentos.
Somente em 12 de junho de 2026, foi confirmada a primeira aparição do peixe-leão no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, Unidade de Conservação de Proteção Integral administrada pelo Município.
A partir do registro, foram intensificadas as articulações entre o poder público, a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), pescadores e demais pessoas ligadas ao ambiente costeiro, dando início ao planejamento de uma resposta à chegada da espécie na região.
Qual o perigo que a espécie apresenta?
O peixe-leão preocupa a costa brasileira por conta da elevada capacidade de adaptação e predação.
Nos ambientes onde o animal se estabelece, pode exercer forte pressão sobre populações de pequenos peixes e crustáceos, inclusive espécies ecologicamente importantes para os recifes e de interesse pesqueiro.
Quando o peixe se estabelece, é praticamente impossível de erradicar e, até o momento, não há registro de erradicação bem-sucedida em nenhuma região do mundo.
Embora o peixe-leão tenha espinhos, a espécie apresenta um risco reduzido aos banhistas nas condições habituais de uso das praias, pois tende a permanecer associada a ambientes submersos, como recifes e fundos rochosos. Mesmo assim, o animal não deve ser tocado ou capturado por pessoas sem treinamento.
Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão
Uma das principais ações iniciais é o incentivo financeiro de R$ 10 por exemplar de peixe-leão entregue à Colônia de Pescadores Z-22 de Porto Seguro.
A medida temporária da prefeitura foi adotada para estimular a retirada da espécie e, ao mesmo tempo, formar um acervo biológico para ampliar o conhecimento científico sobre a invasão na região.
Em aproximadamente um mês, 442 peixes-leão foram entregues à Colônia em agosto deste ano. Os animais foram capturados em diversas regiões e levados à UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia). Na universidade, os exemplares vão passar por triagem, biometria e outras análises científicas destinadas a gerar informações sobre as características biológicas dos indivíduos.