As investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), motivaram nos últimos dias nova ofensiva de opositores contra o governo.
Em reação, governistas retomaram cobranças sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL) que teria recebido recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Os dois casos, que ainda são investigados pela PF (Polícia Federal), têm alimentado o debate em meio ao período eleitoral. A última semana foi a primeira desde o início oficial das campanhas.
Tanto o PL quanto o PT monitoram os efeitos do caso Lulinha e seu possível impacto nas pesquisas eleitorais. O filho do presidente é alvo de três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência.
Como a CNN mostrou, o resultado da última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (21), trouxe alívio para a campanha petista, que temia queda nas intenções de votos após uma semana de desgastes com desdobramentos sobre investigações que miram Lulinha.
O levantamento mostrou que Lula oscilou um ponto para baixo e tem 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL). O Datafolha ouviu 2.058 entrevistados entre 18 e 19 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Em declarações sobre o filho, Lula tem defendido que ele esteja à disposição da Justiça e que responda por suas ações. A campanha também busca diferenciar o caso do episódio Dark Horse, no qual o próprio candidato do PL, Flávio, é implicado em denúncias.
Tanto as apurações contra Lulinha quanto o caso Dark Horse só devem ser concluídos após as eleições.
Ofensiva da oposição
À CNN, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu a continuidade das apurações contra o filho do presidente da República. No Congresso, a oposição articula uma comissão de inquérito para investigar a atuação de Lulinha.
Quem lidera as articulações é o senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre as fraudes no INSS.
O parlamentar também enviou um ofício ao diretor-geral da PF para solicitar informações sobre a localização de Lulinha, que mora em Madri, capital da Espanha.
Viana também solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a preservação de provas relacionadas a Lulinha.
A iniciativa de uma CPMI contra Lulinha, no entanto, deve enfrentar dificuldades para avançar no curto prazo, já que as eleições costumam esvaziar o Congresso. Além disso, para ser instalada, é necessário o aval do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que voltou a se aproximar de Lula nas últimas semanas.
Para o pedido da comissão de inquérito ser oficialmente apresentado por Viana, são necessários os apoios de ao menos 27 senadores e 171 deputados. Entre os parlamentares que já assinaram a iniciativa está Flávio Bolsonaro.
No sábado (22), Carlos Viana também anunciou que apresentaria um pedido de convocação no Senado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Se houve tráfico de influência dentro do governo, o Brasil precisa saber quem participou, quem se beneficiou e até onde isso chegou”, disse nas redes sociais.
O pedido tem como base uma das frentes de investigação da PF que apura se Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger teriam atuado para favorecer Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em possíveis contratos com o Ministério da Saúde envolvendo medicamentos à base de canabidiol.
Governistas reagem
Nas redes sociais, têm retomado associações de Flávio com Daniel Vorcaro. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), enviou na quinta-feira (20) dois ofícios solicitando informações à PF e à PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o caso “Dark Horse”.
A senadora questiona quais procedimentos, petições, inquéritos e investigações tramitam ou tramitaram sobre o suposto financiamento de Vorcaro ao filme. Recursos para a produção teriam sido negociados diretamente por Flávio com o ex-banqueiro.
As tratativas envolveriam o repasse de R$ 134 milhões para bancar o filme. A informação foi revelada em reportagem do Intercept Brasil e confirmada pela CNN.
Em julho, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a PF a abrir inquérito para investigar os repasses feitos para a produção.
A investigação busca rastrear cerca de R$ 61 milhões, parte dos recursos prometidos que teria sido repassada. O inquérito está sob sigilo e apura se houve irregularidade nos pagamentos ou eventual contrapartida relacionada a Flávio.
Em maio, Flávio havia dito à CNN que estava “100% disposto” a tornar público o contrato relacionado ao financiamento do longa. Segundo ele, o dinheiro recebido havia sido integralmente aplicado na produção.
Na ocasião, ponderou que a divulgação do contrato dependeria das regras de compliance de um fundo privado sediado nos Estados Unidos. Dias depois, o senador afirmou ter solicitado à produtora Go Up Entertainment uma prestação de contas das despesas.
O prazo para a divulgação era de 30 dias. Mais de 90 dias depois, a prestação de contas ainda não foi apresentada publicamente.