Lula faz reunião ministerial após EUA anunciarem nova proposta de tarifaço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza, nesta quarta-feira (3) uma reunião ministerial. O encontro está previsto para ocorrer às 10h, no Palácio do Planalto.

Apesar de o governo não ter informado a pauta do encontro, a agenda ocorre após os Estados Unidos anunciarem uma nova proposta de tarifaço a produtos brasileiros e classificarem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Segundo apurou a CNN, a reunião, a primeira desde a reforma ministerial anunciada em março, deve ter como objetivo passar orientações à equipe às vésperas do início oficial da campanha eleitoral. O encontro acontece a pouco mais de um mês do início de uma série de restrições previstas no calendário eleitoral de 2026.

Na noite da última segunda-feira (1º), os EUA concluíram uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos, como o Pix, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.

A decisão repercutiu no meio político. Em nota, o Palácio do Planalto manifestou “indignação” com a recomendação do escritório norte-americano. Segundo o comunicado, a investigação contra “alegadas práticas comerciais desleais do Brasil” e, consequentemente, a aplicação de novas tarifas está associada à atuação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.

O governo chega a mencionar o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegando que a agenda teve impacto direto na medida contra o Brasil.

“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, diz o documento do Planalto.

O presidente Lula adotou o mesmo discurso nas agendas que teve ao longo de terça-feira (2). Durante evento em Catalão (GO), ele apareceu segurando um cartaz que dizia: “O Pix é do Brasil”.

Em sua fala, o petista mencionou a “química” relatada por Trump durante um encontro com o brasileiro, em maio deste ano, e disse que aguarda um telefonema do republicano para resolver o impasse. “Esse acordo não pode ter sua anuência, porque nós dois combinamos 30 dias para poder ter uma resposta sobre o que nós propusemos.”

Em outro momento, o chefe do Executivo brasileiro criticou a medida dos EUA e insinuou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro mereciam ser enforcados. Após a declaração, Flávio disse que acionará o STF (Supremo Tribunal Federal).

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele, são vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores?”, questionou o presidente, ao cometer um ato falho, uma vez que Tiradentes é quem morreu enforcado por ser um dos líderes da Inconfidência Mineira.

Em entrevista à Itatiaia, Flávio Bolsonaro disse que, durante seu encontro com Trump, na semana passada, pediu que não fossem aplicadas tarifas contra empresas brasileiras.

“Eu pedi expressamente: ‘Não taxem as empresas brasileiras. Em 2027 vocês [EUA] vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual”, afirmou.

O pré-candidato à Presidência pelo PL também enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo estadunidense poupe o Brasil da nova proposta de tarifaço.

A carta afirma que o Brasil vive uma “grave deterioração fiscal e econômica” e argumenta que eventuais sanções comerciais prejudicariam a população brasileira, citando o aumento da dívida pública, o recorde de inadimplência e supostas dificuldades enfrentadas pelas empresas.

No ofício, Flávio afirma acreditar que será eleito presidente do Brasil e se coloca à disposição para que sua eventual futura equipe de transição de governo possa negociar um amplo acordo de comércio e investimentos entre os dois países.

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