O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (29) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não é seu “inimigo” e voltou a dizer que não pretende brigar com o norte-americano, mas sim travar uma disputa de “narrativa” com a Casa Branca.
A fala foi feita durante convenção do PSB que sacramentou a presença de Geraldo Alckmin novamente como vice de Lula. Em discurso de 37 minutos, o petista afirmou que Trump se orgulha de ter “o maior exército do mundo” e que, por isso, não seria possível fazer um enfrentamento militar contra os EUA.
“Nem o Trump é meu inimigo. Eu não sou bobo. Ele disse que tem o maior avião, maior navio, maior exército do mundo… Eu quero briga com ele? Eu só tenho vocês e quero derrotá-lo na narrativa. Quem tá falando a verdade ou mentira”, disse Lula.
O presidente voltou a falar sobre os vistos negados pelo Itamaraty a uma equipe da Casa Branca que visitaria o Brasil nos próximos dias. De acordo com o jornal “The Washington Post”, o governo estadunidense tinha planos de preparar um ataque à confiabilidade das urnas e do sistema eleitoral brasileiro.
“Enquanto eu for presidente e vivo ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras. E não adianta falar bravo que eu não vou ficar bravo. Eu quero derrotá-lo e convencer a sociedade americana que na narrativa nós estamos certos e, por isso, nós não abaixamos a cabeça”, disse.
Lula chama Milei de “coisa”
Ainda durante a convenção desta quarta, Lula se referiu ao presidente da Argentina, Javier Milei, como “aquela coisa” e disse que o chefe do Executivo do país vizinho cometeu uma “patacoada” ao discursar na convenção do PL, no último sábado (25), que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto.
“Vocês viram a patacoada que ele fez no final de semana. Eu não falei nada, porque minha relação é de chefe de Estado. Não vou ficar trocando coisa com aquela coisa”, afirmou o petista durante convenção do PSB. “Eu aprendi desde cedo que não sou melhor nem pior que ninguém. Quero ser igual. E enquanto eu for presidente e vivo ninguém vai meter o bedelho nas eleições brasileiras.”
De acordo com fontes, causou revolta ao Itamaraty e ao Palácio do Planalto o fato de as declarações do presidente argentino terem acontecido em território brasileiro.
Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”, acusou o governo brasileiro de “prender opositores” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como “lixo careca”. O mandatário argentino ainda criticou a política econômica do país.