A Lotus Cars, icônica montadora inglesa de esportivos, aterrissou no Brasil oficialmente na quarta-feira (27), em evento de lançamento na Casa Fasano, em São Paulo. A chegada da marca concretiza uma negociação que levou cerca de três anos, trazendo ao país o catálogo integral da marca, que transita por SUVs e sedãs elétricos, um pequeno cupê à combustão com câmbio manual opcional, e um hipercarro com mais de 2.000 cv de potência que configura o zero km mais caro do país.
Durante o evento, a Lotus exibiu quase todo o seu catálogo atual, com exceção do sedã elétrico Emeya, e fez questão de lembrar-nos da sua história ao expor seus velhos ícones automotivos, como os clássicos Elise e Esprit, além de um protótipo do “carro do chefe”, o John Player Special 98 T.
Representação e estratégia
A operação da Lotus no Brasil será comandada pelo Grupo LTS, recém-criado pelo ex-piloto de Fórmula 3 Clemente Faria Jr. O executivo também é CEO do Grupo BAMAQ, que administra concessionárias da GWM, Mercedes-Benz e da Porsche, a concorrente mais direta da Lotus no mercado brasileiro.
A estratégia comercial busca fugir das vendas de volume. No Brasil, a marca opera sob o conceito de escassez programada, limitando as vendas – mesmo com o imenso interesse já encontrado, segundo o corpo executivo – para alimentar o desejo no entusiasta, a demanda no mercado e garantir uma sensação de exclusividade aos proprietários.
“Espero que a empresa cresça bastante, mas nunca vai perder a essência da exclusividade […] nunca seremos uma marca de alto volume de vendas. O objetivo é gerar essa escassez e essa experiência exclusiva.”
— Clemente Faria Jr., CEO da Lotus Brasil
A importância do mercado brasileiro também foi endossada em esfera continental. O CEO da Lotus Américas Max Trantini enfatizou a relevância do início das operações no Brasil, tanto pela herança do Brasil com a equipe de Fórmula 1, quanto pelo impacto mercadológico esperado. “Para a Lotus, este lançamento é um evento global […] Na torre da Nasdaq, em Nova York, terá um sumário deste exato evento.”, completou o executivo.

A herança brasileira na Lotus
Com 78 anos de história, a Lotus possui uma conexão visceral com o Brasil por meio da Fórmula 1. Pela proposta e visual do evento, o branding da marca no país será fortemente ancorado nessa herança vitoriosa e enraizada na memória afetiva de milhões de brasileiros, sobretudo os entusiastas.
Foi pilotando uma Lotus preta com detalhes dourados “John Player Special” que Emerson Fittipaldi se tornou o primeiro brasileiro a vencer um campeonato mundial. Foi também na equipe britânica, com o mesmo livery “John Player Special”, que Ayrton Senna conquistou sua primeira vitória na categoria máxima do automobilismo.
Já em uma Lotus mais chamativa, amarela com detalhes azuis “Camel”, Nelson Piquet conquistou três pódios, mesmo enfrentando a esmagadora McLaren da época (1988/1989).
Para aproximar ainda mais os laços com os clientes entusiastas, a marca promete aos seletos compradores experiências internacionais, como:
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Visitas à fábrica da Lotus Cars, no Reino Unido.
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Acesso exclusivo ao Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1.
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Presença em eventos conceituados, como o Goodwood Festival of Speed e o Pebble Beach Concours d’Elegance, na Califórnia.
No âmbito nacional, Faria Jr. confirmou que existe uma ideia de criar uma “Lotus Cup” no Brasil, por enquanto sem concretização prevista.
Os modelos
A Lotus global havia anunciado uma transição para um line-up 100% elétrico. No entanto, a montadora reprogramou rota e confirmou o desenvolvimento de um novo powertrain V8 PHEV, que dará as caras na reencarnação do Esprit, prevista para 2029, bem como uma novíssima versão do Emira: o 420 Sport. Até lá, o Brasil receberá o line-up integral da marca, que conta com:

Evija
O hipercarro 100% elétrico, com produção limitada a 130 unidades, representa o extremo do que o elétrico pode entregar. O modelo entrega 2.011 cv de potência e 170 kgfm de torque por meio de quatro motores elétricos independentes, um em cada roda. Pesando 1.894 kg e alimentado por um pack de baterias de 91 kWh, o Evija acelera de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos e atinge os 300 km/h em menos de 10 segundos, com velocidade máxima limitada eletronicamente em 350 km/h. Com preço estimado entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, o hipercarro se consagra como o zero km mais caro disponível para compra e importação oficial no Brasil e consolida o status de extrema exclusividade, com uma unidade já vendida e outra ainda em negociação.

Emira
Atualmente, o único herdeiro da antiga escola da Lotus e protagonista dos entusiastas, o Emira chega ao mercado nacional dividido em três configurações para agradar diferentes perfis. As versões de entrada são a Turbo e a Turbo SE, ambas equipadas com o mesmo conjunto mecânico: um 2.0L turbo de quatro cilindros em linha, acoplado a uma transmissão de dupla embreagem de oito marchas.
Enquanto o Emira Turbo convencional entrega 360 cv e cumpre o zero a 100 km/h em 4,4 segundos, a variante Turbo SE é calibrada para entregar 400 cv e reduz o tempo de aceleração para a marca dos 4 segundos cravados. No topo da gama está o Emira V6 SE, que apresenta um 3.5L V6 Supercharger de 400 cv. Ele é capaz de atingir os 100 km/h em 4,3 segundos e traz como seu grande trunfo uma transmissão manual de seis marchas, mantendo viva a opção automática para quem preferir.

Eletre e Emeya
No lado oposto do espectro de peso, os prováveis responsáveis por sustentar os cofres da Lotus nesta nova era são o SUV Eletre e o sedã de luxo Emeya. Construídos sobre uma plataforma compartilhada, ambos os modelos compartilham exatamente o mesmo conjunto mecânico e as mesmas opções de cavalaria entre todas as versões.
A configuração de entrada de ambos é a versão 600, que utiliza um motor elétrico em cada eixo para garantir tração integral, gerando 611 cv de potência e 71 kgfm de torque instantâneos. Com essa motorização, o sedã Emeya 600 alcança os 100 km/h em 4,2 segundos, enquanto o SUV Eletre 600 exige 4,5 segundos para cumprir a mesma prova.
Para os compradores que buscam revirar os estômagos da própria família, a Lotus oferece a versão 900 para a dupla elétrica. Nesse ajuste, o sistema despeja 917 cv de potência e 98 kgfm de torque nas quatro rodas, trazendo um diferencial técnico exclusivo no motor traseiro, que adota uma transmissão de duas velocidades para otimizar as retomadas e a velocidade final. O sedã Emeya 900 vai de zero a 100 km/h em apenas 2,8 segundos, ao passo que o SUV Eletre 900 realiza em 3,0 segundos.
Há de se dizer que a mera existência de dois modelos elétricos, pesados e “para a família” da Lotus são, por si só, antíteses ambulantes. Colin Chapman, fundador da Lotus, popularizou frases como “Simplifique, depois adicione leveza” e “Adicionar potência faz você mais rápido nas retas. Subtrair peso faz você mais rápido em qualquer lugar”. Até o anúncio do lançamento dos gêmeos elétricos, todos os modelos da marca seguiram os princípios de Chapman, como os Lotus Seven, Esprit, Elise, Exige e Evora.
Entretanto, é de se considerar que tanto a economia global quanto o mercado automotivo mudaram drasticamente nos últimos tempos, com uma ênfase muito maior no mercado chinês e na plataforma elétrica. Portanto, sob o ponto de vista de porte de tecnologia, qualidade, conforto e movimento de mercado, os modelos fazem sentido no line-up da marca, sobretudo no cenário urbano.
Lojas físicas e agenda
A Lotus iniciará suas operações físicas com duas lojas estratégicas em São Paulo. A primeira inaugurada será a flagship e centro de pós-venda, localizada no Complexo Cidade Jardim. A segunda ficará no Village Boa Vista (JHSF), entrando no condomínio de veraneio de grande parte do público-alvo da montadora. Em um curto a médio prazo, a expansão prevê a abertura de concessionárias em Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Brasília, Salvador e Fortaleza.
Para o segundo semestre, a agenda de eventos e lançamentos de veículos individuais já foi divulgada:
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Julho: inauguração de uma pop-up store e abertura oficial da loja no Village Boa Vista.
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Agosto: início das entregas dos elétricos Emeya e Eletre, para os primeiros clientes selecionados, além da realização de um evento de pista – track day – para os modelos a bateria recém-entregues.
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Setembro: início das entregas das primeiras unidades do cupê Emira, incluindo as 3 configurações.
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Outubro: track day dedicado aos recém-chegados Emiras de rua e ao modelo de pista Emira GT4.
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Novembro: avant-première (lançamento prévio) do Eletre X, introdução de uma nova versão do SUV com tecnologia Híbrida Plug-In (PHEV).