A empresária Roberta Luchsinger declarou, pelas redes socias neste domingo (25), o voto no candidato Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Ela é investigada por sua relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“No primeiro turno, votei nulo. Neste segundo turno, decidi votar em Flávio”, disse em publicação nas redes. Segundo ela, a decisão foi motivada pela “esperança de que o Brasil possa iniciar um novo ciclo”.
A PF (Polícia Federal) investiga Roberta e Lulinha por suposto tráfico de influência no governo federal. A empresária, de 41 anos, também já foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para uso de tornozeleira eletrônica no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de fraudes bilionárias no INSS.
“Os brasileiros querem soluções concretas para os problemas do presente e perspectivas reais para o futuro. O país precisa de menos polarização, menos discursos de enfrentamento e mais resultados”, afirmou na publicação.
Nas últimas semanas, a empresária subiu o tom contra integrantes do governo e aliados de Lula. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil no dia 17 de outubro, a lobista manifestou o desejo de firmar um acordo de delação premiada que, segundo ela, não poupará o presidente e Lulinha.
Questionada sobre o que teria a acrescentar às investigações em curso, a empresária mencionou “detalhes” que não constam das mensagens trocadas por ela no WhatsApp.
“O que eu teria a acrescentar? Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu”.
Logo após as falas serem divulgadas, a equipe de comunicação do presidente Lula afirma que ele “desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger”.
“Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, declarou.
“Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores.”
Em nota enviada à CNN por conta da entrevista, a defesa de Lulinha também negou que ele tenha cometido qualquer irregularidade e que sua relação com qualquer ministro sempre foi de natureza pessoal. Ele afirmou ainda que as acusações de Roberta “são incompatíveis com seu depoimento às autoridades” e que “comprovará sua inocência nos autos”.
Defesa de Lulinha
Leia a íntegra da nota abaixo:
“Fábio Luís Lula da Silva não cometeu nenhuma irregularidade e teve seus dados bancários, fiscais e telemáticos abertos, colocando-se à disposição da Justiça para colaborar com as investigações desde o primeiro momento. Sua relação com políticos de qualquer natureza, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano.
As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso retrata, mais do que qualquer coisa, sua contrariedade tanto em relação às declarações do Presidente da República sobre seu caráter quanto, de forma compreensível, em relação ao incessante ataque resultante de vazamentos criminosos que têm o evidente objetivo de controlar a pauta da imprensa em período eleitoral.
Quanto às investigações abertas, tudo até o momento indica manipulação, direcionamento e pescaria probatória: desde a quebra de sigilo telefônico de Roberta Luchsinger na investigação do INSS, que buscou dados sobre Fábio Luís de anos antes de Roberta sequer conhecer Antônio Camilo, até os reiterados vazamentos ilegais.
Assim como fez em diversas acusações anteriores, inclusive na operação do INSS em que não foi nem sequer indiciado, Fábio Luís comprovará sua inocência nos autos, após ter contato com dados e provas concretas”.A